segunda-feira, 31 de julho de 2006

Ideal grandioso de mediocridade eterna

Sim, é possível encontrar este livro em qualquer livraria decente. Filosofia é um terreno um tanto complicado para um engenheiro, mas eu sempre me arrisco (bold and fearless). A parte inicial de cada capítulo sobre o filósofo em questão é um tanto complexa (tudo bem, dá para viajar), meu amigo Sr. C. disse-me que encontrou um erro crasso sobre Cães de Aluguel, mas, enfim, gostei muito da combinação final. Acho até que consegui aprender alguma coisa de filosofia usando a ferramenta do cinema. Coloco uma vinheta abaixo para degustação: Exercício 11 - Nietzsche, o imperdoável Clint Eastwood e os assassinos por natureza (Heroísmo e violência):
"Pelo contrário, a vida familiar e tranqüila é representada e defendida (paradoxalmente, por meio das armas e pela mais sádica violência) por um xerife moralista, Little Bill Daggett (Gene Hackman), que está construindo uma casa (o símbolo da estabilidade, da negação do heroísmo nômade), em cujo balcão frontal, segundo diz, espera 'tomar café, fumar cachimbo e ver o pôr-do-sol', um ideal grandioso de mediocridade eterna, como diria Nietzsche."
Julio Cabrera. O Cinema pensa.
Gostei da expressão: ideal grandioso de mediocridade eterna. Renato Russo a usaria num título de música. Seria título de mais um roteiro do Kaufman para Winslet e Carrey.

Já dá para imaginar as situações apropriadas para usá-la.

domingo, 30 de julho de 2006

Do sonho (Gueto)

Passei pelas ruas e olhei para tudo com atenção. Procurei guardar todas as imagens na mente porque não podia fotografar; repeti para mim mesmo todos os detalhes por receio de esquecer alguma coisa para a reprodução.

Espera-se que casas geminadas sejam idênticas, gêmeas, mas pessoas insistiram em particularizá-las. Principalmente as cores: brancas, marrons, de tijolo aparente, estuque – mas a babel de cores passava em ondas, numa certa ordem aparente.

Em algum ponto da fachada das casas, usualmente numa parte mais alta ou em cima da porta principal, estava uma frase inteira do alcorão escrita em árabe. As placas era discretas, sóbrias e suas letras pareciam adagas. Outras casas tinham bandeirolas. Passei duas vezes por um prédio baixo de uma esquina que anunciava o show dos Paralamas (não dizia do Sucesso).

O mundo tinha se tornado muçulmano. Cristãos agora moravam em guetos.

sábado, 29 de julho de 2006

The world map of happiness

I have received this instigating message from a very good friend of mine asking me what makes me happy. This is something which is seldom actively thought of by most of people and I guess I am one of them. Nevertheless, she provided me with information on University of Leicester Psychologist Adrian White who has made a comprehensive research on this.

Further details about the research, including an interactive map, Mr. White's comments, and 'happiness ranking of world countries' can be found here. BBC Brasil has an insteresting article on this - a link to the text (in Portuguese) is here.

My small list of things that makes me happy would include: a good meal (the feast of the 5 senses), an interesting conversation (interaction can be sublime), the successful accomplishment of a task (pragmatic guy), the genuine expression of gratitude (highly influenced by my father), being of help to someone (here are two lending hands ), being part of something (we are part of the big picture), the feeling of loving and being loved (not necessarily in return).

What could possibly make you happy?

Adeus em plataforma de rodoviária

Mais um velho amigo que parte para longe.

Fiquei pensando por que todas as pessoas legais têm que ir embora? Dá vontade de ir embora também, de ir junto. Dá medo de ficar para trás. Dá tristeza de ter de ficar com o que sobrou. Vai dar saudade.

quinta-feira, 27 de julho de 2006

A energia do agradecimento

Seguindo a recomendação de Eternal Louise, assisti ao filme What the bleep do we know? Vou ter que assistir mais algumas vezes para absorver tudo o que tem ali, mas uma das coisas que achei mais impressionante foi a seqüência em que eram apresentadas as fotografias da estrutura cristalina da água. Quanto pior a fonte de água (por exemplo, rios poluídos) mais distorcido era o cristal. Fontes puras tinham belas estruturas. Em estudos adicionais, Masaru Emoto - este é o nome do pesquisador japonês - submeteu a água à energia vibracional humana, pensamentos, palavras e música. Antes de congelada, a água era submetida a palavras tais como Hitler, Madre Teresa, Amor e Apreciação, Vou Te Matar. Dá para adivinhar o que aconteceu?!

É possível ver mais fotos e entender um pouco mais a respeito clicando aqui.

A foto neste post é da água submetida à palavra Obrigado.

Agradeço pelo link da foto/site e a cópia do filme ao Sr. D. Agradeço pela dica de filme da Srta. L. - que achas de escrever uma resenha para Dr. N publicar no site dela?

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Memorable quote

"- For relaxing times, make it Suntory time."
Bob Harris (Bill Murray) at Lost in Translation

terça-feira, 25 de julho de 2006

Caros amigos peregrinos da vida


Muito embora aposte que todos nós tenhamos tido um dia atribulado (o meu foi um dia de cão), não seria possível passar sem lembrar que hoje é dia de Santiago (25/07).

É sempre bom lembrar que temos que continuar nossa caminhada dia após dia, acreditando que o dia de amanhã vai ser, e com certeza será, um pouco melhor do que o dia de hoje. Otimismo irremediável - sim, por que não?

É importante dar mais uma oportunidade às pessoas. E se não der certo... paciência! A vida continua.

É importante viajar sem carregar tralhas - deixando para trás objetos que não nos servem de nada, emoções que não nos servem de nada, pensamentos que não nos servem de nada. 'Travel light!'

Puxa, que dia ótimo para parar e pensar o que a gente está fazendo desta vida que a gente leva. Você contruiu um muro em torno de si? Derrube-o. Se não construiu, dá para ajudar alguém a destruir aquele que tiver construído. Alguém poderá vir e ajudar a derrubar o seu: exatamente este que você não enxerga. Seja generoso.

Abraço carinhoso a todos: velhos amigos, novos amigos, família, amigos-família, amigos virtuais e reais, amigos distantes, amigos de bancos escolares, amigos que mudaram (em todos os sentidos) e para você.

Tenha certeza que ainda estou por aqui, por você.

Fotografia de Tulio Seawright - veja outras fotos dele clicando aqui.

domingo, 16 de julho de 2006

Dra. J.K.

Nunca li nenhum Harry Potter. Nunca tive curiosidade mas sempre achei curioso o interesse de crianças e outros mais velhos pela estória. Os livros são grossos, o que usualmente afasta leitores que são obrigados a ler uma seqüência de livros através puberdade e adolescência de Harry. Minha capacidade de imaginar o universo de bruxaria é limitado, mundo relativamente tão distante dos meus pensamentos Numa leitura mais adulta me aventurei através do Senhor dos Anéis e deu no que deu: God I’m bored. Mesmo nestas situações, vou até o fim para poder dizer: li e não curti.

Assisti ao documentário da BBC sobre JK. Ela morava numa espelunca na Escócia e escreveu Harry Potter num café (ou seria um pub?) de Edimburgo. Uma daquelas histórias de virada de mesa que raramente acontecem com a gente. E cá estou eu, estudando para ser admitido no mestrado e lá está ela já com um doutorado honorário graças a doações substanciais para pesquisas sobre esclerose múltipla. Grande motivo para eu me esforçar mais. Bem mais.

quinta-feira, 13 de julho de 2006

The Paris Match (1984)

Paul Weller. O cara é muito bom. O cara faz um som que não fica datado. Ele é timeless. Ele foi um mod, adolescente e com raiva no The Jam. Ele ficou adulto e sofisticado com o Style Council. Continuou absolutamente top de linha, muito embora todos quisessem que ele fosse o mod imutável. E agora está na meia idade fazendo rock de responsa com dignidade. Em qualquer um destes momentos, qualquer foto de Paul fucking Weller merece página inteira de qualquer editoria de estilo. O video do Paris Match é da fase estilosa (1984), poesia welleriana que anda me dizendo muita coisa nestes últimos dias.



Empty hours spent combing the street. In daytime showers, they've become my beat. As I walk from cafe to bar, I wish I knew where you are. You sort of clouded my mind and now I'm all out of time. Empty skies say "try to forget". Better advice is to have no regrets. As I tread the boulevard floor, will I see you once more? Because you've coloured my mind till then I'm biding my time. I'm only sad in a natural way and I enjoy sometimes feeling this way. The gift you gave is desire: the match that started my fire. Empty nights with nothing to do. I sit and think, every thought is for you. I get so restless and bored so I go out once more. I hate to feel so confined, I feel like I'm wasting my time...
The Paris Match. The Style Council.

Zidane não é jogador de várzea

Sim, eu torci pela Itália na final. Ou melhor, eu torci contra a França.
Torci contra aquele futebol medíocre que eu vi na primeira fase.
Achei deplorável a atitude do Zidane, uma vergonha em fim de carreira.

OK, mas aí aparece a leitura labial e o que o Materazzi teria dito para o Zidane. Ofensas dirigidas à família - particularmente mãe e irmã - de um indivíduo de origens muçulmanas neste caldeirão religioso em que vivemos. Sem contar as potenciais e não confirmadas associações ao terror. O sangue entrou em ebulição.

Acho que o meu sangue ferveria tanto quanto o de Zidane. Mas será que, do topo de sua experiência, Zidane não poderia ter tido um maior auto-controle? Ele já não era mais nenhum jogador de várzea para entrar em confusão a cada jogo de domingo. Fim de Copa do Mundo, fim de carreira: talvez ele poderia ter dado um final com toque de classe ao Materazzi.

A atitude de Zidane, isoladamente falando, foi deplorável. As palavras de Materazzi, idem. Não, não se pode perdoar nem a um nem ao outro.

quarta-feira, 12 de julho de 2006

I'm not completely useless, you see...

No início desta semana eu estava me sentindo a complete unknown, like a rolling stone. É que, de vez em quando, todo mundo se sente meio que o último dos moicanos. Quando a gente se apercebe disto, a gente fica procurando aquela chance para a guinada de 225°. E aí eis que chegam na minha caixa postal nem 1 nem 2 mas 3 e-mails que, sem a menor intenção do remetente, me fizeram caminhar com o queixo erguido e o peito aberto. Abriu-se um espaço para respirar melhor e entender que ninguém é de todo inútil – pelo menos servimos de mau exemplo.

domingo, 9 de julho de 2006

Um pouco de luz

Bom, a semana está começando e muita coisa passa pela minha cabeça. Umas idéias legais e outras que não tenho muita certeza que assim sejam. Então, vou acender umas velas para o meu anjo da guarda alumiar meus caminhos.
(Foto tirada por mim aqui).

Teaser

Você acredita que se você quiser muito que alguma coisa aconteça, ela acontece?

Eu acredito.

sábado, 8 de julho de 2006

Continuando o post de hoje cedo...

How does it feel
How does it feel
To be without a home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?
Bob Dylan no ipod agora

Eu não sou daqui

Hoje na aula de natação ouvi por acaso uma conversa de outro aluno com a instrutora. O cara tinha um sotaque diferente – possivelmente de um país de língua espanhola. Lembrei-me do quanto é difícil viver num lugar quando não se é de lá. E nem precisa mudar de país. É mudar de casa, de bairro, de escola, de trabalho, de cidade. É ter que fazer reconhecimento do local, entender o senso de humor das pessoas, descobrir onde tem lavanderia barbearia pizzaria legal, socializar – tudo de novo. É perder o seu sotaque original, adquirir aquele do novo lugar e ficar num meio termo que ninguém reconhece. É ter que começar do zero toda vez.

quinta-feira, 6 de julho de 2006

Spy shot

Personagem não identificado. Divulgação nunca autorizada.

Basta por hoje

Dizem que Pizarro, muito cansado da sua empreitada para chegar à Cuzco, preferiu pernoitar nos arredores, a alguns poucos quilômetros da cidade. No dia em que chegaram nesta parada, perguntado se iriam adiante, disse: "Basta por hoy".
Com o tempo, o local virou um pueblo que adquiriu o nome de Poroy.
Infame.

...is this as grown-up as we ever get?

Escutei isto hoje. É aquela coisa tão simples que nos perguntamos por que não o escrevemos antes. Só que a Tracey Thorn escreveu The heart remains a child antes. É uma porrada com delicadeza.
I dreamed about you again last night. You never have the same face twice. But I always know it's you and you're always looking better than you really do... than you really do. And I walk around the whole next day feeling like I've still got something to say. But I don't know what it is, and I don't know how to reach you even if I did... even if I did. Do I wanna hear that you forgive me? Do I wanna hear you're no good without me? Am I big enough to hear that you never even think about me? Why should you ever think about me? And I thought that I'd outgrow this kind of thing. Tell me: aren't we supposed to mature or something? I haven't found that yet... is this as grown-up as we ever get? Maybe this is as good as it gets... And years may go by, but I think the heart remains a child. The mind may grow wise but the heart just sulks and it whines and remains a child. Why don't you love me?

quarta-feira, 5 de julho de 2006

Do céu sobre o mundo

Vôos diurnos têm a desvantagem que temos que acordar ultrajantemente cedo para estar no aeroporto. Ninguém merece fazer check-in às 4 da madruga. Mas sempre há a vantagem de ver a Terra bem lá do alto. Descobrir topografias, transformar a geografia dos livros em realidade, mensurar os acidentes geográficos. Saber que acima das nuvens tem um céu azul claro pode ser reconfortante. Mas pensar na mortalidade no desafio de voar – o aviso quase sempre inútil do assento flutuável – sem contar que tudo ficou muito diferente depois de 24/7. Digo 7-11. Digo 9/11.

Um dia de perplexidade

Fiquei perplexo com a minha ingenuidade, com a minha pretensão de achar que te conhecia muito bem - talvez até melhor que você, com a simplicidade das coisas e com como consegui complicar, com o fato de que eu achei que ia te resgatar e vi que você não se afogava mas nadava para longe com desenvoltura e velocidade, com a minha incapacidade de entender os sinais, com a situação em si: tudo estava lá sendo visto e ignorado, com a minha esperança vazia, com o grau de afastamento que provocou uma diferença irreconciliável entre nós, e com quanto você um dia pôde ter sido tão outra pessoa.


Putz, que bicho-da-goiaba eu pude ser!