sexta-feira, 30 de junho de 2006

Programa de milhagem

Arrumar a mala e colocar o pé na estrada é o ato de coragem de estar exposto completamente. É botar a bunda na janela, é deixar o seu na reta, dar a cara a tapa. É, vamos sair dos seguros e confortáveis casulos. Vamos sair das nossas lógicas seguras e nos aventurar pelo modo de vida do outro. Mas aí vem a primeira reação: cara amarrada resmungando que é tudo tão diferente, que é tudo tão ruim, que é tudo tão inferior. Mas é tão gostoso contrariar este raciocínio, desenvolver a tolerância da diferença... A diferença no olhar, o novo tratar, ouvir a cadência de falar, a perda das referências de beleza, um sabor novo. Disposição para descobrir o novo com genuíno interesse e curiosidade é essencial. E grana curta pode ser sinônimo de imaginação curta: a ordem de grandeza das milhas viajadas não importa. O que importa é sair da sua própria mente e viajar na mente deste aí, bem ao seu lado. Se nós tivéssemos nascidos para ficar num lugar só, nasceríamos com raízes. Captou?

Photographs from the thin air

Yes, it took me a while but I have just finished uploading my pictures to Flickr.
Now you are just a few clicks away: scroll down and check the link below my profile. Voilà.

Enjoy the ride.

Now I go to bed. It is late let alone cold. And this uploading thing can be tiring.
Cheers. Good night.

quarta-feira, 28 de junho de 2006

De volta para casa

Retornei.

É muito bom viajar, explorar, ver coisas novas e como o mundo é, de fato. É um exercício de tolerância com as diferenças (merece um outro post). Mas é tão bom voltar para minha casinha. Para aquele lugar em que a gente se sente protegido e não mais exposto às intempéries.

Lar doce lar, enfim.

Vi muitas coisas no horizonte peruano e vou partilhar aos poucos, até que eu (ou vocês) encham o saco. Através do fundo da garrafa, o que fica mais marcado na retina é a profusão de cores – dá para se afogar nelas. Tirei compulsivamente centenas de fotos e estou separando o joio do trigo para colocar no flickr. Assim que tudo estiver pronto colocarei um link aqui no FdG. Por enquanto, vai uma foto das meninas vestidas à caráter para um desfile em Cuzco (simpáticas, não?):


quinta-feira, 15 de junho de 2006

Temporarily into thin air

I shall be away from the blogsphere for a few days and exploring the surface of this strange planet disguised as a NatGeo explorer. The direction will be up the Andean mountains (by plane, naturally) in order to visit the ruins of a civilisation that used to communicate with the gods.

Their sidereal chat kept on quite well until a group led by Pizarro arrived and that was it: ‘exploit – destroy – leave’. At the end of the day, everybody has tried to forget everything for the centuries to follow, and that must have been rather convenient for the Spanish, the Catholic Church and the natives proper. Until Hiram Bingham re-found Machu Picchu in 1911.

The modern man, slightly more enlightened, wonders: how could they have possibly existed? Well, I will check this out. See you all in 10 days - after recovering from the thin air.

Today's mantra: “Money-tickets-Passport-money-tickets-Passport”

terça-feira, 13 de junho de 2006

The Guardian

The Guardian: Clever Kaka kickstarts Brazil in advance
The Guardian: Bush flies into Baghdad for surprise visit

The truth is out there.

Geografia, segundo um carioca

Moro na rua Paranaguá na quadra entre a rua Humaitá e a rua Riachuelo. Me é pateticamente difícil lembrar destas referências, como bom carioca que sou.

Humaitá fica na zona sul – está entre o Jardim Botânico e Botafogo. Do outro lado do Túnel Dois Irmãos está Riachuelo lá na zona norte – faz parte do Grande Méier. Minha mente não consegue fazer conectar as duas ruas.

Cariocas do mundo, uni-vos em prol da manutenção da geografia da cidade do Rio de Janeiro em outros locais. É ridículo mas nunca consigo dar referências corretas para o meu endereço aqui em Londrina.

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Colón

Não conseguia me lembrar das minhas aulas de história - quem tinha sido este herói chamado Colón. Poderia ter lutado em alguma batalha de libertação das colônias espanholas? Acho que não, porque senão não haveriam tantas coisas sobre ele na Espanha. Confundi com Simón Bolívar.

Achava as aulas de história sobre a América Latina muito chatas. Nunca nós brasileiros partilhamos interesses comuns, de forma prática. Não partilhamos nem a língua, para começar. Em comum, tínhamos o fato de que toda a AL tinha crescido sob a mentalidade colonizada e seus chavões do lucro a todo custo, prosperar e abandonar, culto ao colonizador superior e supostamente desenvolvido. Nunca me fez muito sentido estarmos unidos com los hermanos.

A rivalidade com a Argentina é notória – em tempos de Copa do Mundo se acirra e vira piada (Maradona com a camisa da Seleção é um clássico). Contribuímos para que Caxias dizimasse o Paraguai. A Bolívia encampa os ativos da Petrobrás talvez para compensar a nossa compra do Acre. Freud explica: tudo isto começou quando éramos criança com o bom e velho Tratado de Tordesilhas.

Até que um dia Colón reaparece em Barcelona. Do alto de uma coluna próximo ao porto ele aponta para o mar. Para a América.

Colón. Colombo. Agora havia algum sentido.

domingo, 11 de junho de 2006

Meu sorriso secreto



"Nobody knows it but you've got a secret smile and you use it only for me. Nobody knows it but you've got a secret smile and you use it only for me. So use it and prove it, remove this whirling sadness. I'm losing, I'm bluesing, but you can save me from madness. Nobody knows it but you've got a secret smile and you use it only for me. Nobody knows it but you've got a secret smile and you use it only for me. So save me, I'm waiting, I'm needing, hear me pleading. And soothe me, improve me. I'm grieving, I'm barely believing now, now. When you are flying around and around the world and I'm lying alonely. I know there's something sacred and free reserved and received by me only."
Secret Smile. Semisonic.

Guia do chef sobrevivente, nu, gordo e sem culpa

Coisas que aprendi com 3 programas da BBC: The Naked Chef (Jamie Oliver), Nigella Bites (Nigella Lawson), Two Fat Ladies (Clarissa Dickson e Jennifer Paterson).

  1. Fazer coisas simples e sem medo de tempero com o chef nu.
  2. Mordiscar, morder, tirar pedaços da comida sem culpa com Nigella.
  3. Usar manteiga, bastante gordura e esquecer qualquer coisa light com as duas gordas senhoras.

Enfim, eles fizeram com que a cozinha fosse um pouco mais divertida (muito embora meus resultados fazendo pão do Jamie nunca foram satisfatórios, por mais que eu tente).

BBC também é cultura.

Hoje em dia deixei de assistir aos programas. Só não abandonei o meu livro de receitas Guia para a Sobrevivência do Homem na Cozinha (detalhes aqui) – ele me salvou algumas vezes.

sábado, 10 de junho de 2006

FILo porque quilo

Tenho aproveitado a oportunidade para ir ao teatro nestas férias, privilégio raro. O Festival Internacional de Londrina começou (veja detalhes do FILo aqui ) e fui assistir ao musical Orlando Silva - O Cantor das Multidões na abertura. Há muito não via um espetáculo concebido como tal. Espaço cênico, música, composição de atores, iluminação – tudo na linha do teatrão (informações sobre a peça estão aqui).

Me sinto um idiota escrevendo sobre isto porque parece uma crítica didática, um exercício de escrita sobre algo que não entendo. Vamos falar sobre o que senti, então.

Gostei, sim gostei, do espetáculo porque ele tem suas marcações muito bem feitas e simétricas – há uma ordem pré-estabelecida, estudada e obedecida. Os atores eram experientes, interagiam com a platéia e sabiam precisamente quando o fazer. A platéia, o outro player, jogou duro até aplaudir em cena aberta – acho que atores devem adorar este momento (comentários particularmente sobre isto são bem vindos). Os momentos de humor foram intensos, mas a tragédia e dano do protagonista não foram tão explorados e por isso não marcaram. Foi uma experiência.

E sim, sou obsessivo por procurar entender a ordem no caos.

Equação simples

Um Judiciário que se distancia da realidade +

+ Um Executivo-mor que é ausente e de nada sabe

+ Um Legislativo que promove a impunidade

= MLST

Eu ia escrever tudo isto mas desisti depois de ver o Jabor colocar em palavras antes, com muito mais brilho e verve no Jornal da Globo (a abertura do William Waack foi memorável). Resolvi me restringir a imagens.

Omar, nosso Formador de Opinião de plantão na blogosfera escreveu algo a respeito também. Vale a leitura - clique aqui para ir direto ao post ou siga o link da minha lista de Dangerous Liaisons.

sexta-feira, 9 de junho de 2006

É mais fácil perdoar do que esquecer...

Ficou a recordação do meu bom dia civilizado. Discretamente conversei com interesse com o nosso grupo. Ouvi suas opiniões em silêncio e permiti que elas caíssem naturalmente no vazio. Discretamente te ignorei. Cortesia e civilidade – nunca desdém ou ironia.

Soube então que você tinha perdido alguém muito próximo. Com competência, não usou nenhum truque básico – do tipo olhar no vazio, sombracelhas arqueadas, suspiro – para chamar a atenção. Sua dor foi cristalizada e guardada. Só que você deixou que a descobrissem e honestamente torço para que não te empurrem mais para baixo ainda. Porque algumas coisas ficam melhores se não ditas.

Tenho motivos para ignorar todos estes fatos – e você sabe, por menos que queira, que é verdade.

Se sempre fui acusado de frio, eis aí uma boa chance de confirmar este julgamento. É muito difícil, acho, é muito mais difícil esquecer do que perdoar. Já que não tenho o dom inato para perdoar (quem será que tem? Talvez só Ele o tinha?), procuro me exercitar bastante para desenvolver a habilidade. De qualquer forma, ainda não foi desta vez que perdoei nem tão pouco esqueci.

Por enquanto, presumo que você não queira ouvir isto, não vou oferecer meu ombro. Sem sentimento de culpa da minha parte. Só vou desejar que tudo melhore logo. Boa sorte.

Foto tirada aqui (Orsay). Novembro de 2004.

Muitas perguntas no muro de Suzane Richthofen


Suzane é ré confessa. Suzane é assassina. Após um atraso pela manobra dos advogados (créditos: Geraldo e Gislane Jabur) dos Irmãos Cravinhos (créditos: Daniel e Christian), aguardamos pelo exemplo de justiça e da Justiça (créditos: juiz Alberto Anderson Filho) no dia 17 de julho.

Toda a assim chamada manobra é viável juridicamente. Veja mais sobre o assunto aqui e o who is who no caso Richthofen está aqui.

Cabe a nós observar a seriedade com que o juiz conduzirará o processo. Fazemos parte de uma sociedade que fica indignada com a Justiça, sua lentidão, suas brechas, sensação de impunidade, anacronismo. Como estamos cobrando mudanças? Como estamos puxando esta casta que paira acima de tudo e de todos de volta ao mundo dos intocáveis?

Cabe a nós ficarmos atentos à ética dos advogados - tanto nesta manobra quanto em futuras. Como você se sentiria se eles estivessem trabalhando para uma outra parte num processo contra você? Seguro que justiça seria feita ou ameaçado pela potencial falta de ética que enfrentaria?

Cabe a nós nos abrir para compreender as necessidades das outras pessoas. Suzane era o protótipo da menina que tinha tudo. Que necessidades eram estas que não foram observadas pela sua família e que motivassem esta barbárie? E você, procura entender as outras pessoas? Você mesmo se compreende?

Pensemos a respeito.

segunda-feira, 5 de junho de 2006

Veículo monitorado por Fátima Bernardes


Torcedores do mundo inteiro submeteram frases para personalizar a decoração externa dos ônibus das seleções na Copa. Os ônibus decorados podem ser vistos aqui. Não pude deixar de rir quando li a do ônibus brasileiro. É uma piada tão particular ao Brasil que a maioria dos não-brasileiros só vão entender parte dela.

Li num site que a frase do ônibus da nossa seleção é intimidadora. E é - para os outros times e seus torcedores, e também para a nossa própria seleção (olha a responsa! olha o salto alto!). Por outro lado, nos remete imediatamente aos adesivos colados nos Fuscas, Brasílias, Chevettes, e também caminhões deste país: não mais o velho monitorado por satélite mas o sarro monitorado pela sogra, ou monitorado por linguarudo, ou monitorado por corneteiro.

Muito boa escolha. Outras frases selecionadas:
Angola - “Angola lead the way – our team is our people”
Argentina - “Get up, Argentina are on the move”
Australia - “Australia Socceroos – Bound for glory”
Brazil - “Vehicle monitored by 180 million Brazilian hearts”
Costa Rica- “Our army is the team, our weapon is the ball. Let’s go to Germany and give it our all”
Côte d’Ivoire - “Come on the Elephants! Win the cup in style”
Croatia – “To the finals with fire in our hearts”
Czech Republic – “Belief and a lion’s strength, for victory and our fans”
Ecuador – “Ecuador my life, football my passion, the cup my goal”
England - “One Nation, One Trophy, Eleven Lions”
France – “Liberté, egalité, Jules Rimet”
Germany - “We are football”
Iran - “Stars of Persia”
Italy – “Blue pride, Italy in our hearts”
Japan - “Light up your Samurai spirit!”
Korea Republic - “Never-ending legend, united Korea”
Ghana – “Go Black Stars, the stars of our world”
Mexico - “Aztec passion across the world”
Netherlands – “Oranje on the road to gold”
Paraguay – “From the heart of America… this is the Guarani spirit”
Poland – “White and red, dangerous and brave”
Portugal – “With a flag in the window and a nation on the pitch. Força Portugal”
Saudi Arabia - “The Green Hawks cannot be stopped”
Serbia and Montenegro - “For the love of the game”
Spain – “Spain. One country, one goal”
Switzerland – “2006, it’s Swiss o’clock”
Sweden – “Fight! Show spirit! Come on! You have the support of everyone”
Togo – “A passion to win and a thirst to succeed”
Trinidad and Tobago - “Here come the Soca Warriors – the fighting spirit of the Caribbean”
Tunisia – “The Carthage Eagles… higher and stronger than ever”
Ukraine – “With our support, Ukraine cannot fail to win!”
USA - “United we play, United we win”
Dona Fátima já está lá de microfone na mão como nos tempos do Globo Cidade.

Nem com asas

Todo mundo desesperado para saber se o chefe vai liberar do trampo para assistir os jogos da seleção em casa e eu aqui, com todo o tempo do mundo para ver e rever os jogos, tomar chopp, xingar juiz, e ver até os clássicos (do gênero Irã e Angola)! Toda a programação dos jogos pode ser vista aqui. E olha que não dou muita bola (desculpe o trocadilho) para futebol.

Deus dá mesmo asas a quem não sabe voar.

Perdido na tradução

domingo, 4 de junho de 2006

Hellraiser

Renascido das cinzas. Retorno triunfal. Reabilitação moral.
The Trio strikes back. The return of the fucking dead.

Da Da Da

É a MPA - Música Popular Alemã - de exportação nestes tempos de Copa do Mundo....

Da Sbørnia para o mundo

Acabei de chegar do show do Tangos & Tragédias. Os caras são figuraças. Para quem não conhece, o T&T resume-se a vozes, acordeón ou sanfona, violino e ocasional piano e tamborim. Os dois caras vieram de um país chamado Sbørnia e parecem dois exilados dos Balcãs que tocam tangos. Mais detalhes estão aqui.

A platéia super fria - acho que estava sem entender muito bem qual era a dos caras. Eles sacaram e nos fizeram de gato-e-sapato. Mas no final foram ironicamente generosos. Saíram do palco, conduziram a platéia teatro a fora e ficaram tocando na calçada. Rolou Latino, Roberto Carlos, Villa Lobos e White Christmas murmurado pela platéia. Maestro Pletskaya no acordéon e o violonista Kraunus Sang distribuiram pipoca e deram uma rasteira na inteligentsia da platéia. Valeu.


Pérola do final do show:
THE ELEVEN'S TRAIN
I cannot stay another minute with you. I'm truly sorry baby, but this cannot be. I live in Jaçanã - if I miss this train that leaves now eleven sharp, only tomorrow morning.
And besides that, woman, there's another trouble: my mother can't sleep until I come back home. I am her only son. Baby, I have my own house to live.
I cannot stay...

Pequenas maravilhas

Cafeteira - acho genial a idéia de fazer um percolador portátil - lá fica ele sobre a mesa da cozinha. É só colocar a água de um lado, o pó do café do outro junto com o filtro de papel outra sacada de mestre, apertar o botão no meu é vermelho e tem uma luzinha enquanto ligado e voilà! Misteriosamente a água já esquentada sobe pelo tubinho, flasheia, percola através do pó e vai gotejando na jarra - já tranformada em cafezinho. E o que é aquele cheiro formidável de café fresco pelo apartamento? A vizinhança que se incomode!

Fio dental - moçada, como será que funcionava na idade da pedra? Candango tinha que comer carne (e só carne), daí devia ficar com as fibras presas entre os dentes. Com o tempo, certamente tudo apodrecia ou as enzimas salivares já iniciavam o processo digestivo. O cheiro devia ser o que há this is gross!. O advento do fio dental veio acabar com isto. Ainda bem que ele se popularizou - lembro como era caro antigamente e a gente tinha que economizar no pedaço de fio a ser usado pobrezinho!

Bolo Ana Maria Pullmann - tem gosto de infância. Macio e tem um recheio de baunilha branquinho que é um barato! Durante muito tempo ele andou desaparecido da minha vida. Hoje em dia, ele vira prêmio para mim depois de fazer as compras no supermercado. Já abro o pacote dentro do carro e ele não tem vida pós-estacionamento-do-supermercado. Nestes dias de dieta já descobri: cada bolo tem 170 kcal. Para os registros, a Pullmann - grupo Bimbo - não patrocinou este post.

sábado, 3 de junho de 2006

Varig e Oceanic Airlines

Levei um susto quando lia a reportagem sobre as empresas interessadas na Varig. Passando rapidamente os olhos pensei ter lido que a Oceanic Airlines era uma delas. Seria uma piada de mau gosto. Irônica, mas de mau gosto.

A Oceanic cessou suas operações depois que o vôo 815 caiu em algum lugar do Pacífico com o elenco da série mais quente do momento. Os caras fizeram até site para a empresa aérea! Sim, eu me liguei no Lost graças ao Garoto Cappuccino que, com seu entusiasmo, me emprestou os DVDs com a série. Era ruim de eu assistir naquele horário proibitivo da Globo e não a acompanhava quando tinha AXN.

Fiquei assustado depois do meu último vôo com a Varig. Acho que isto afetou inconscientemente minha leitura. Em 2004, levaram os passageiros para o avião que faria LIS-GRU num shuttle bus. Conforme chegávamos perto do avião nos perguntávamos se ele realmente seria justamente o do nosso vôo. Rolava aquele zumzumzum no ônibus: risinhos, apreensão, sombracelhas arqueadas. O avião estava sem qualquer pintura:, parecia que tinham acabado de comprá-lo numa liquidação de aviões usados. Por dentro, nada identificava que fosse Varig: nem cores nem padronagens. A tripulação tentou nos tranqüilizar dizendo que era uma nova aeronave para a frota A-HÃ (o avião estava nitidamente em condições abaixo da média para a Varig). Juro que eu tinha um sorriso nervoso no rosto até que ele levantou vôo. Atravessamos o Atlântico sem maiores dificuldades. Tivemos sorte melhor que o pessoal da Oceanic:


A propósito, quem está interessado na Varig é a Ocean Air.