quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Salte para 2007


Clique no play - esta é a trilha sonora deste post.

2007 está bem aí à nossa frente. Bate aquela ansiedade, aquele friozinho na barriga. Não é medo, é só aquela vontade que ele chegue logo e nos impulsione. There’s only so much you can learn in one place. The more that I wait, then more time that I waste. O Grande Salto Para Frente. Estamos na porta do avião, prontos para o salto de para-quedas. Vento sopra que ensurdece. Adrenalina. Batimentos cardíacos acelerados. Não quero esquecer 2006 - ele me fez lembrar que eu sou cigano, peregrino, vivo em acampamento e com mochila nas costas - por mais VIP que eu pareça ser. O significado de desbravador passa a ter sentido, o mundo não está a meu favor mas eu posso mudá-lo. I haven’t got much time to waste, it’s time to make my way. I’m not afraid what I’ll face, but I’m afraid to stay. I’m going down my own road and I can make it alone. I'll work and I'll fight till I find a place of my own. Graças a alguns amigos, pela primeira vez, eu fui associado ao termo desapegado e isto também passou a fazer sentido. Até o sentido negativo. A quem quisesse ouvir, assegurei que tomava as decisões e não olhava para trás para o 'mas, e se...?' Estava pronto para o salto. Are you ready to jump? Get ready to jump. Don’t ever look back, oh baby, Yes, I’m ready to jump. Just take my hands. Get ready to jump. A turminha da psicologia diz que a pessoa é formada na infância até os 6 anos, no máximo. O estrago é feito, este é você, viva-se com isto. A família é tudo neste momento e tenho procurado entender quem era aquele moleque antes dos 6. Isto é meio difícil porque a minha memória é, por vezes, prodigiosa mas já foi meio danificada pelos excessos das drogas lícitas. Não deu tempo para começar a recomendada Análise. Mas a minha história está aí - irmãos e amigos de infância estão me ajudando nos trabalhos arqueológicos. We learned our lesson from the start, my sisters and me. The only thing you can depend on is your family. And life’s gonna drop you down like the limbs of a tree. It sways and it swings and it bends until it makes you see. Todas as certezas que eu pensei que tivesse, parecem-me agora que inventei e repetia à exaustão para meu próprio convencimento. Não era nada disto. Quase ferrei com tudo. Acho que descobri a tempo. I can make alone. Estou pronto para saltar para 2007. Apronte-se também. Se quiser saltar junto comigo, vai ser muito legal. Vamos lá? Get ready to, are you ready?

5 sentidos: audição

Meu pai nunca foi uma pessoa que dava ouvidos às opiniões das outras pessoas. A crença nas suas próprias idéias era messiânica. Esta obstinação e firmeza foi motivo de atritos na família em várias ocasiões. Mas o respeito à figura paterna sempre prevaleceu entre todos em casa. Isto nos fez aprender a ser displinados e respeitar a autoridade que, afinal de contas, tinha muito mais visão e experiência que todos nós juntos. E que pagava todas as contas sob o nosso teto. O tempo passou e todas as crianças cresceram e caíram no mundo e criaram suas próprias crenças. Há muito tempo, meu pai sofre de uma surdez que foi degenerando quase completamente sua capacidade auditiva. Hoje em dia, mesmo se você gritar a plenos pulmões, dificilmente ele escutará. Crueldade talvez agora ele pudesse nos dar ouvidos.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Feliz Natal

Deixo tudo para última hora - está lá no meu perfil. Depois de me culpar estressar preocupar muito por isto, resolvi assumir este meu lado last-minute. Escrevo este post enquanto levo parte da mudança para o carro, deixo a lembrancinha de Natal para a minha vizinha, janto um hamburguer, respondo aos meus e-mails essenciais. Ainda tenho que arrumar a mala e guardar os presentes. Mas Jesus toma conta. Amanhã dirijo 1000 km para o Rio de Janeiro para passar o Natal com meus pais. Sim, tenho que mimar os velhos porque logo partirei para mais longe ainda.

Enquanto isto tudo acontecia, pensava no meu 2006. PQP: foi bom. Nada de mar de rosas, mas vôo turbulento. Porém só consigo me lembrar das coisas boas. Até meu ombro parou de doer. Revi velhos amigos e até gente dada por desaparecida. Trabalho tranqüilo, coisas realizadas, caminhos desbravados. Ciclos se encerram, novos se instalam. E desde abril tenho conhecido um monte de bloggers que são show de bola. Gente com razão e sensibilidade. Generosos. Escrevem horrivelmente bem - se tornaram bookmarks, dangerous liaisons. Este post é para vocês. Obrigado por terem feito parte do meu 2006:

ALEXANDRE sua fúria é contagiosa, ANDRÉ você me inspirou a começar a blogar, MARINA me ensina como cotidiano pode ser glamouroso, DOC is an eternal inspiration, FLOR tem sensibilidade à flor da pele, EDMONT vê o mundo com olhos de águia, LOU pensa que é triste mas tem os olhos cheios de alegria, FELIPE ah ele é fogo, FLAVIA chegou de mansinho, OMAR é bom mas quando ele marca as opiniões ah é melhor ainda, GABEIRA significou um monte para mim neste ano, STRANGER ficou closer, MARYOSHKA quer fugir para o inverno siberiano das idéias mas ah não vou deixar, JOÃOZITO NABABU é e sempre foi uma figurinha na melhor acepção da palavra, viajei nas viagens do pequeno PIRATE, SANDMAN está se tornando um cavaleiro Jedi em eterna luta consigo mesmo no seu caminho do bem, fui atingido pela metralhadora ambulante do SEM DESTINATÁRIO, acompanho GIOVANA mostrar a que veio, e não me canso de rir com os comentários das DAMAS & MESTRE DELIH. LIL' MS. SUNRISE obrigado por tudo e por aquilo que você nem desconfia.

E para você aí lendo agora, fique feliz & stay splendid. Feliz Natal para todos vocês.

Este blog entra em recesso e só volta algum dia depois do Natal.
Já com saudades...

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Nomes #3

Segue abaixo uma lista dos parlamentares que aprovaram o aumento mais vergonhoso do ano. Depois de chafurdarem na lama e sentirem ofendidos pela opinião pública, talvez tenha sido esta a oportunidade para resgatar os seus deles egos e renascer das cinzas. Pois também é mais uma chance de nos tornarmos mais conscientes da importância do nosso voto e para quem ele vai.

* Aldo Rebelo (PC do B-SP) - dep.aldorebelo@camara.gov.br
* Renan Calheiros (PMDB-AL) - renan.calheiros@senador.gov.br
* Ciro Nogueira (PP-PI) - dep.cironogueira@camara.gov.br
* Jorge Alberto (PMDB-SE) - dep.jorgealberto@camara.gov.br
* Luciano Castro (PL-RR) - dep.lucianocastro@camara.gov.br
* José Múcio (PTB-PE) - dep.josemuciomonteiro@camara.gov.br
* Wilson Santiago (PMDB-PB) - dep.wilsonsantiago@camara.gov.br
* Miro Teixeira (PDT-RJ) - dep.miroteixeira@camara.gov.br
* Sandra Rosado (PSB-RN) - dep.sandrarosado@camara.gov.br
* Coubert Martins (PPS-BA) - dep.colbertmartins@camara.gov.br
* Bismarck Maia (PSDB-CE) - dep.bismarckmaia@camara.gov.br
* Rodrigo Maia (PFL-RJ) - dep.rodrigomaia@camara.gov.br
* José Carlos Aleluia (PFL-BA) - dep.josecarlosaleluia@camara.gov.br
* Sandro Mabel (PL-GO) - dep.sandromabel@camara.gov.br
* Givaldo Carimbão (PSB-AL) - dep.givaldocarimbao@camara.gov.br
* Arlindo Chinaglia (PT-SP) - dep.arlindochinaglia@camara.gov.br
* Inácio Arruda (PC do B-CE) - dep.inacioarruda@camara.gov.br
* Carlos Willian (PTC-MG) - dep.carloswillian@camara.gov.br
* Mário Heringer (PDT-MG) - dep.marioheringer@camara.gov.br
* Inocêncio Oliveira (PL-PE) - dep.inocenciooliveira@camara.gov.br
* Demóstenes Torres (PFL-GO) - demostenes.torres@senador.gov.br
* Efraim Moraes (PFL-PB) - efraim.morais@senador.gov.br
* Tião Viana (PT-AC) - tiao.viana@senador.gov.br
* Ney Suassuna (PMDB-PB) - ney.suassuna@senador.gov.br
* Benedito de Lira (PL-AL) - dep.beneditodelira@camara.gov.br
* Ideli Salvatti (PT-SC) - ideli.salvatti@senadora.gov.br

Esta lista é divulgada a partir do site da minha ligação perigosa Nababu.

domingo, 17 de dezembro de 2006

Recomendação essencial

Minha cabeça tem estado ocupada com muitos assuntos que dizem respeito somente a mim. Acho que seria muito entediante ficar falando do meu umbigo. Preocupações cotidianas. Festas de fim-de-ano daqui a pouco. Viagens a organizar. Projetos a encerrar. Hora de fechar 2006. Hora de abrir 2007. Aquela adrenalina que sobe aos poucos quando eu penso no que está por vir. Que nada está muito certo ainda e as possibilidades estão aí. E eu, que gosto de ter tudo sob controle, fico ansioso.

Mas me disseram não esquenta, resolva as coisas essenciais e deixe o resto porque tudo vai dar certo. Resolvi acatar a recomendação.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Dia de salvar o mundo


Skol!
Originally uploaded by Alex.Speziali.
As pessoas pensam que o último dia para resolverem todas as suas pendências são as sextas-feiras. Por conta disto marcam reuniões atrás de reuniões, não deixam o telefone quieto, aparecem na sua sala para discutir aquele assunto inadiável. Sexta é o os dia de salvar o mundo. Sextas podem tornar-se estressantes e eu, eu odeio me estressar e odeio que as pessoas que trabalham comigo fiquem estressadas.

Minha sexta-feira termina, não oficialmente, às 16 horas. Não inicio nada grandioso depois deste horário para não ficar tentado a fazer horas extras. Fico resolvendo as coisas mais simples e curtas e absolutamente disponível para que qualquer emergência seja tratada no período mais breve de tempo.

E chegar em casa tranqüilamente e olhar para a cerveja e olhar para a paisagem e dizer 'missão cumprida'.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Vale dos Reis

O que vai acontecer quando Chico Anysio morrer? E o Roberto Carlos? E a Hebe? Estes três parecem onipresentes. Acho que já imprimiram algo no DNA dos brasileiros e parecem que as crianças já nascem sabendo quem eles são. Chico é um ícone do humor, Natal sem Roberto não é o mesmo, e Hebe é uma gracinha parece que não muda nunca. Confesso que não assisto a nenhum dos três mas a presença deles ali parece essencial. O país vai parar. Sete dias com bandeiras a meio pau. Cortejo fúnebre com a urna funerária sobre caminhão dos bombeiros. Multidões na rua. Processos de canonização. E, no dia de finados, haverá peregrinação a seus túmulos. Mas então a vida continua e vai ficar um vazio meio patético. E as novas gerações talvez não entendam a comoção. Até que sejam esquecidos no vale dos reis. Tutankamon, Ramsés, Nefertiti.

Pinochet morre. Leva com ele o fantasma de milhares de mortes. Não descansará em paz.

domingo, 10 de dezembro de 2006

15 merecidos minutos de fama

Atos heróicos são usualmente tratados como vontade exagerada de aparecer. Criamos um modelo mental para desprezar o que é uma virtude, se possível destrui-la, não deixar que ela se mostre. Não reconhecer o que é um diferencial no outro é sempre a primeira opção. Nivelamos por baixo e queremos sempre a mediocridade - que o médio mesquinho prevaleça.

Aí aparece um cara, pula no rio e resgata a mãe e filho que caíram no rio Pinheiros. Leia aqui a história completa.

Antes de voltarmos à Pizzaria Mensalão, tenho que dizer: este cara fez uma coisa muito legal. Queria mesmo que mais gente fizesse tantas coisas boas assim (heróicas ou menores) e não se envergonhasse nem por fazer, nem por ter 15 bem merecidos minutos de fama. Senão, deixaremos afogar o que temos de bom na sujeira de um rio.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Estive pensando

Tem horas na vida que a gente quer assentar. Parar e deixar a poeira baixar e poder ver o horizonte com mais clareza. De repente me descobri assim.

E aí vi que estava de novo dentro da barraca de camping. Dormindo no meu saco de dormir tranqüilamente. Enquanto lá fora o vento da noite tinha virado um vendaval que insistia em tirar os grampos mal firmados no chão. E eu dormia. Tranqüilamente. Tinha tirado apenas umas coisas de dentro da mochila, minha companheira, só coisas essenciais para a noite. Nem a desarrumei. E ela ficou ao meu lado toda a noite. O sol da manhã me avisou que era hora de aproveitar o dia. Firmar os grampos novamente. Tirar a areia de cima da mochila, enrolar o saco de dormir, escovar os dentes, arrumar a cabeleira. Acho que eu tinha uns 10 anos nesta época.

Estive pensando.

Nunca consegui me assentar. Sinais de poeira baixando era só o prenúncio que outro vendaval estava a caminho.

Minhas parcas tentativas de favorecimento para que as minhas raízes crescessem e se apegassem foram frustradas. O meu sangue nômade, cigano, peregrino tem prevalecido. A decepção por não conseguir atingir a estabilidade me corroi suavemente. Na verdade, acho que a corrosão é apenas pela falta de percepção de que a felicidade não está ali. Mais inteligente seria aceitar a condição sempre temporária, nunca perene, da minha vida. Entender que o repouso não combina com o meu momentum. Estar preparado para arrumar a mochila e desfazer o acampamento a qualquer hora é o que tem me movido. Impulsiona para a próxima parada. Pouso temporário para o repouso. Até a próxima parada.

Pick of the week: Guillemots, Trains to Brazil



(You're feelin' old...) It's 1 o' clock on a Friday morning. I'm trying to keep my back from the wall. The prophets and their bombs have had another success. And i'm wondering why we bother at all. And I think of you on cold winter mornings. Darling they remind me of when we were at school. Nothing really mattered when you called out my name. In fact, nothing really mattered at all. And I think about how long it will take them to blow us away. But I won't get me down, I'm just thankful to be facing the day. Cos days don't get you far when you're gone. It's 5 o'clock on a Friday morning. One hundred telephones shake and ring and one of them is from someone who knew you... And I still think of you on cold winter mornings. Darling they'll still remind me of when we were at school. When they could never have persuaded me that lives like yours were in the hands of these erroneous fools. And to those of you who moan your lives through one day to the next, well let them take you next. Cos you live and be thankful you're here. See it could be you tomorrow next year.
Watch the non-acoustic version here.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Coloque sua mão no seu rosto


put your hand on your face
Originally uploaded by stereoleo.
Quis ter bloggado esta foto antes, logo depois que o Gol 1907 caiu. Ela teria então um significado. Mas o Flickr não aceitou a comunicação com o FdG em formato beta e acabei desistindo. Agora, tendo ajustada a configuração, tropecei de novo na foto. Que conveniente, pensei. Depois do post de ontem, exatamente a mesma foto adquire um novo significado.

Aproveito para inserir uma historieta da Laurie Anderson chamada "From The Air":
Good evening. This is your Captain. We are about to attempt the crash landing. Please extinguish all cigarettes. Place your tray tables in their upright locked position. Your Captain says: Put your head on your knees. Captain says: Put your head on your hands. Captain says: Put your hands on your head. Put your hands on your hips. Heh heh. This is your Captain - we are going down. We are all going down, together. And I said: Uh oh. This is gonna be some day. Standby. This is the time. And this is the record of the time. This is the time. And this is the record of the time. Uh-this is your Captain again. You know, I've got this funny feeling I've seen this all before. Why? Cause I'm a caveman. Why? Cause I've got eyes in the back of my head. Why? It's the heat. Standby. This is the time. And this is the record of the time. This is the time. And this is the record of the time. Put your hands over your eyes. Jump out of the plane. There is no pilot. You are not alone. Standby. This is the time. And this is the record of the time. This is the time. And this is the record of the time.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Leitura dos fatos

  • Os controladores de vôo brasileiros trabalham sobre-carregados e sob-pressão.
  • Há controladores de menos nas torres de controle.
  • Há buracos negros no céu do Norte e Centro-Oeste brasileiros em que aeronaves desaparecem dos radares.
  • A Aeronáutica afirma sempre o contrário.
  • Houve uma má comunicação entre a torre e os pilotos do Legacy.
  • Controladores de vôo brasileiros não falam inglês apropriadamente.
  • Um Boeing novinho em folha é derrubado. Cento e cinqüenta e quatro pessoas a bordo morreram.
  • O caos é instalado na malha aérea brasileira. Reação em cadeia após o acidente.

Tudo isto quer dizer algo. Não é necessário ser rocket scientist para fazer a leitura dos fatos.

A controvérsia de Annabel Port

Todas as noites na Virgin Radio, Annabel Port manda ver no seu Porting Controversy. Ela simplesmente detona com um senso comum com argumentos concretos e divertidos. Praticamente, ela é capaz de mandar um vaca sagrada para o abatedouro. Hoje resolvi redigir uma controvérsia inspirada no quadro de Annabel. Talvez a locutora lesse isto:
"Juliana Paes é uma linda mulher". Juliana é considerada uma das mulheres mais bonitas do mundo. Mas quem a elegeu deve tê-la visto em fotos de revista. E todos nós sabemos os milagres feitos pelo Photoshop. Ela tem um corpão, digno de uma brasileirona, assim como uma Beyoncé ou Mariah Carey - e por que elas também não estão na lista? Os olhos delas são desproporcionalmente grandes. Ela tem olheiras que dão muito trabalho para disfarçar. Os cameramen têm dificuldade no enquadramento e iluminação para reduzir as bolsas em baixo dos olhos depois da noite mal dormida. Ser gostosona é passaporte para estar na lista? Se sim, paciência. Se não, houve um erro e eu tenho que dizer: Juliana Paes é mal-acabada.
Aí Geoff diria, 'good points, well-made'.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Ctrl+alt+del

Dei um ctrl-alt-del e desliguei o computador. HA como se isto fosse fazer alguma diferença... Voltei até o caixa e paguei por mais um café. Deixei o guarda-chuva cair e me senti ridículo. Tinha voltado a chover. Sentei-me e abri o notebook novamente. Abri uma série de arquivos inúteis e me surpreendi com todos aqueles arquivos antigos e esquecidos. Abri um novo arquivo e descrevi todos os meus companheiros, os Desprevinidos à minha volta. Eles tinham desafiado os elementos. Desconsideraram seus guarda-chuvas, suas capas-de-chuva. Meu desdém, potencializado pelo meu guarda-chuvas, era anulado pela patética chuva torrencial do lado de fora - do meu joelho para baixo eu estaria tão empapado como cada um deles. Lembrei-me novamente do que eu ouvi ao telefone: pois não? ... PORRA, 'POIS NÃO?' Então era a isto que tudo havia sido reduzido. 0. Não O, mas 0. Z-E-R-O. N-A-D-A. Uma porra de 'pois não?'. Isto gerou um caos na minha cabeça. Não pude enxergar a ordem. Logo eu, que ironia. Quando me recuperei, estava de novo em frente ao notebook olhando para aquela mísera tela, com os dedos sobre aquele mísero teclado. É isto: ctrl-alt-del. Restart. Hora de começar a história de novo.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Ordem & caos


Order and Chaos
Originally uploaded by davebluedevil.
Sempre achei o caos digno de ter sua ordem encontrada. Existe um critério escondido que poucos olhos são capazes de identificar. Mas está sempre lá esperando ser apontado, puxado, trazido à tona ou à baila. Pior para aqueles que aqueles que não conseguem sentir o ritmo, o fluxo, as subidas e descidas a que somos submetidos. E vivem tentando nadar quando se deve flutuar ou manter a cabeça fora d'água quando se deve mergulhar.

sábado, 2 de dezembro de 2006

A rainha está morta

A primeira vez que vi os stills do The Queen fiquei impressionado com a semelhança ou impersonation de Dame Mirren com Elizabeth II. We can go for a walk where it's quiet and dry and talk about precious things like love and law and poverty, these are the things that kill me. Por enquanto, só li críticas do filme que são, quase sempre, bastante positivas. Só que a película deve dizer mais aos britânicos, talvez aos europeus ou americanos, mas pouco aos brasileiros. É muito distante da nossa realidade o que a monarca britânica possa estar pensando ou potenciais angústias que sofra. We can go for a walk where it's quiet and dry and talk about precious things but the rain that flattens my hair, these are the things that kill me. Estamos mais atentos a o que Vossa Majestade Barbuda anda fazendo - como por exemplo, o absolutamente desinteressante eixo África-América do Sul. Em vez de 'anda fazendo' poderia dizer o que 'não anda fazendo'. Muito mais interessante do V.M. Barbuda faz, é o que a periferia brasileira vem fazendo e sendo mostrado pela Regina Casé, ou o Retrato Falado de Denise Fraga. É a vida como ela é. Past the Pub who saps your body and the church who'll snatch your money, the Queen is dead, boys. And it's so lonely on a limb. Por vezes tenho vontade de sair com a minha máquina digital e registrar o cotidiano da rua. Mas sempre achei tudo tão banal, tão pouco digno de registro e receio ter já me acostumado e não conseguir mais me espantar com as particularidades da vizinhança. A República em frente de casa, o cemitério na outra esquina e os estudantes na saída da escola. Past the Pub that wrecks your body and the church - all they want is your money. The Queen is dead, boys. And it's so lonely on a limb.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Mal secreto

Aproveito o gancho da minha ligação perigosa Dani que, no seu post sobre a inveja, me fez refletir sobre a minha condição atual e aquelas dos meus amigos, velhos amigos, conhecidos que há muito tempo não se via.

Primeiro, da inveja. Segundo Zuenir Ventura em "Mal Secreto":
"A inveja não é você querer o que o outro tem (isso é cobiça), mas querer que ele não tenha, é essa a grande tragédia do invejoso."
Segundo, o inferno é a comparação. Estamos lá tão bem, felizes, levando a nossa tranqüila vidinha desinteressante. E aí é lançada aquela questão repleta de dor: por que estou assim e não como o outro? Esta é a maneira usual de verbalizar a sensação.

Mas, de fato, me questiono se realmente queremos o que o outro tem. Talvez só achamos que a felicidade está em outro lugar. Quem é solteiro, sonha em casar. Quem é casado, sente saudades do tempo de solteiro. Quem não viaja, quer conhecer o mundo. Quem vive na rua, queria descansar ficar dentro de casa. Quem tem muito dinheiro, queria um pouco mais de dinheiro. Quem tem pouco dinheiro, queria mais dinheiro. Ninguém quer assumir que é feliz do jeito que é. E que tudo que tem é resultado de uma série de opções que fez na vida - uma conseqüência após outra conseqüência desde o primeiro suspiro.

Eu também fiz minhas próprias comparações (afinal não estava imune). E, com serenidade, descobri que não queria ser como ninguém que eu conheço ou ter o que eles têm. Os rumos da minha vida, hoje sei, foram naturais. Me levaram a tantas coisas boas, e a tantos impasses, a preocupações e entusiasmos, mas que são todos intrinsicamente meus. Não caberiam para mais ninguém. Nem tão pouco os dos outros caberiam para mim.

Mas quero mais. Coisas diferentes, audaciosas, serenas, intensas, dolorosas, vibrantes. Sempre mais. Mas não quero nada de ninguém - que cada um tenha a sua cota nesta vida.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Confusão

E eu pensei como seu tempo está se esgotando. O ultimato era, na verdade, mais uma chance. Um aviso que abracadabra abriu-se a janela de oportunidade para entender tudo o que aconteceu nas últimas semanas. Lembrar-se que o defeito com que você acena para as pessoas é só físico e não tem nada a ver com a moral e daí você confundiu tudo - você fundiu tudo - você fudeu com tudo. Tanto que nem eu entendo como você conseguiu tal proeza. Pena que você não vê que dia após dia chutam sua confiança, desprezam a confidência. E penso ninguém é merecedor de injustiças de propósito - permito a falha inocente porém nunca negligente. Esta é só para você, sacou?

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Uma experiência especial

Quando um indivíduo vai comprar um produto especial, ele não somente quer abrir a carteira, sacar o talão de cheques, assinar a fatura e levar seu produto em baixo do braço. Isto é muito pouco. Ele quer sentir a 'experiência de ser especial' por tabela. Imagine comprar um Porsche - não é só entrar na loja e levá-lo. Há toda a experiência de ser atendido por um vendedor poliglota que fez treinamento na fábrica e te leva para um best-drive (não um test drive) numa pista exclusiva e te oferece kits de produtos caríssimos e deixa um carro com você para teste e manda um motorista te levar para casa e... Esta é uma experiência VIP.

Por outro lado, existe a atitude incorreta. Aquela em que o vendedor arrogantemente pressupõe que o cliente não faz jus à exclusividade do produto, e o dispensa. Quando o cliente não se enquadra no perfil padrão e quando ele é uma fonte potencialmente inesgotável de lucros? Ninguém sabe.

Hoje fui participar de uma experiência 'especial' e adivinhem o que aconteceu. Não ouviram o que eu tinha a dizer, corrigiram minha pronúncia para o nome do serviço e me disseram passar bem. Deu vontade de dizer "you only work in a shop, you know, you can drop the attitude". Lamentável. Além de perderem um cliente, o SAC deles vai receber uma carta de reclamação belamente redigida.

Portanto trate todos os seus clientes indistintamente bem. Você nunca sabe o potencial que eles podem esconder.

domingo, 26 de novembro de 2006

E a mídia queria um novo caso Richthofen

'Um casal é assassinado brutalmente supostamente pelo filho. A avó também é agredida mas sobrevive.' A polícia é chamada pela vizinha que vê a movimentação estranha na casa. O agressor, ferido, é levado para o hospital para tratamento.

Por défault, a imprensa vê um novo caso Richthofen. Um prato cheio para dias e dias de cobertura. Começa o massacre moral do filho - chegando a traçar um perfil desequilibrado dele.

Mas aí, evidências são devidamente reunidas: depoimento dos sobreviventes, situação da cena do crime. A mídia passa a reportar informações desconexas e radicalmente desencontradas. Fica claro que houve um engano e que toda a mídia montou um circo por um mico. Se as evidências a favor do filho não fossem tão grosseiras, o moço carregaria o fardo da suspeita pelo resto da vida. Já carrega a pichação de 'assassino' no muro da casa.

Tudo por irresponsabilidade de uma polícia inepta e apressada e uma mídia que está preferindo faturar a verificar criticamente o que está reportando.

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Pick of the week: Sick Puppies, All the same


I don't mind where you come from, as long as you come to me. And I don't like illusions I can't see them clearly. I don't care, no I wouldn't dare to fix the twist in you. You showed me eventually what you'll do. I don't mind... I don't care... As long as you're here. Go ahead tell me you'll leave again, you'll just come back running, holding your scarred heart in hand. It's all the same. And I'll take you for who you are if you take me for everything and do it all over again. It's all the same. Hours slide and days go by till you decide to come. And in between it always seems to long all of a sudden. And I have the skill. Yeah, I have the will to breath you in while I can however long you stay is all that I am. I don't mind... I don't care... As long as you're here. Go ahead tell me you'll leave again, you'll just come back running, holding you're scarred heart in hand. It's all the same. And I'll take you for who you are if you take me for everything and do it all over again. It's always the same. Wrong or right. Black or white. If I close my eyes, it's all the same. In my life the compromise I close my eyes. It's all the same. Go ahead say it, you're leaving You'll just come back running, holding your scarred heart in hand. It's all the same. And I'll take you for who you are if you take me for everything and do it all over again. It's all the same.

FREE HUGS, post inspirado no post de Sandman.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Agulhadas na orelha

O acupunturista não conversou muito comigo. Foi direto ao ponto literalmente. Identificou os pontos de energia, verbalizou o problema. Agulhas. Sementes. Fitas. 4 pontos acionados. Ainda brinco com o desenho da orelha e tento localizar os locais. Espero a próxima sessão para continuar meu mapeamento.

Fiquei perplexo com os resultados. Logo eu que sou muito cético e crítico e não sou facilmente convencido. Mas quando os resultados operam inequivocamente em você mesmo, fica difícil por a prática em cheque.

Mercedes e a bicicleta no Leblon

Olhando os detalhes sobre o assassinato da ex-sra. Johannpeter, lá está uma socialite morta numa esquina da região com metro quadrado mais caro do Brasil, já diria o Casseta. O choque da bicicleta e da Mercedes. A compaixão pela perda violenta da vida procura candidamente cobrir a inveja e ódio pela riqueza e fama, e pela afronta que o ter dinheiro se constitui. Tudo se move rapidamente a algumas centenas de metros da autoridade do estado. Nada vai mudar, isto é líquido e certo. Que a dama descanse em paz.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Entender a Matrix

Depois que atravessei a rua, pisei com displicência o meio-fio. Estava totalmente convencido que tinha entrado num joguinho. Acabava de entender a Matrix. Os mestres dos fantoches disputavam quem era o manipulador mais hábil, qual seria o boneco mais importante da peça e quem iria operá-lo. Enquanto constatava a inutilidade de lutar contra os fatos, andava apressadamente e me desviava dos desníveis da calçada, dos sacos de lixos e dos cursos de água da lavagem de alguma garagem. Resolvi subir na arquibancada. Resolvi procurar um bom lugar para assistir a fogueira das vaidades, distante o bastante para só ver o brilho do fogo. Nem fumaça ia me atingir. Sorri, dei boa noite para o porteiro e entrei no elevador.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Spy shot #2

Flerte com desastre

Homens tendem a exagerar um pouco quando estão doentes, mas há tempos não me sentia tão mal como neste fim de semana que passou. Agravado por um mormaço que fazia qualquer um, sadio ou não, se sentir desconfortável. Duas noites mal dormidas, dois dias mal alimentados. Soro caseiro, suco de goiaba, gatorade, yakult - deu para sacar a profilaxia?

Já fiz muita sandice nesta vida. Nunca perdi uma chance de experimentar esportes radicais, quando possível. Já bati feio com o carro - rodei na estrada vazia, bati em todos os guard-rails disponíveis, abri um talho na cabeça.

Só dei uma acalmada depois que fiz o meu batismo no mergulho autônomo no mar. O que todos falavam que era uma experiência de conexão com o divino se tornou um trauma. Me senti desconfortável, impotente, totalmente à mercê dos elementos. Eu não tinha controle sobre mim. Nem respirar eu podia - era dependente do maldito equipamento. Exagero ou não, tinha a impressão de que qualquer erro poderia custar minha vida.

Foi o mais próximo da sensação de pânico de morrer que tive. Desde então, penso duas vezes antes de cruzar um rio a nado, subir num caminhão velho ou fazer um rapel. O que antes me atraía, agora parece-me um flerte com o desastre. Velhice? Amadurecimento? Talvez eu esteja sendo apresentado à minha mortalidade.

sábado, 18 de novembro de 2006

No estaleiro

Fui derrubado por um peixe e salada de frutos do mar.
Algo tecnicamente chamado de toxinfecção alimentar.
Volto depois que minha saúde for recomposta.

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Christo sobre o rio

Christo é um artista plástico búlgaro admirável. A sua arte tem consistido de 'embrulhar' prédios, objetos, árvores. Suas instalações duram efêmeros 14 dias e nunca mais são repetidos - mesmo sob uma chuva de insistentes pedidos. Só que a sensação que fica é inesquecível, eterna. Seus projetos levam décadas para serem implementados desde a concepção até a realização.

Mudando do 'embrulho' para intervenções na paisagem, seu último evento em 2005 foi 'Os Portões, Central Park, NYC'.

Seu próximo projeto será o 'Over the River', previsto para acontecer em algum momento entre meados de julho e meados de agosto num ano futuro - possivelmente não antes de 2010. Nele, painéis de tecido suspensos horizontalmente bem acima do nível do rio Arkansas. Serão criadas ondas de tecido sustentadas por cabos que cobrirão quase 11 km de rio com larguras variando de 2 a quase 8 metros, seguindo o curso natural do mesmo. A luz do sol chegará às margens pelas laterais suspensas do tecido. Quando navegando pelo rio, o tecido luminoso e translúcido acentuará os contornos das nuvens, montanhas e vegetação. Vai ficar absurdamente lindo.

Todo o projeto é financiado por Christo e sua esposa - sem apoios público ou privado. O dinheiro virá da venda de desenhos (como o anexo), litografias, colagens do artista, e outros trabalhos referenciados a projetos antigos. Após término dos 14 dias, os materiais serão retirados e reciclados. Até agora, já foram gastos 2,5 milhões de dólares neste projeto.

A vida é dura para os sonhadores.

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Sem cores

Preto no branco.

Às vezes fico meio perdido quando o cinza aparece. E me questiono.
Será que tenho cegueira para as cores?

domingo, 12 de novembro de 2006

Pick of the week: Pedro Almodóvar, Volver

Depois de muito recomendado pelo meu amigo Sr. R. fui assistir a 'Volver' do Almodóvar.

Ele não é uma unanimidade para mim. Incomoda-me o jeito exagerado dele filmar, principalmente as personagens homossexuais, transexuais, pansexuais, ou ...-sexuais. Não é puritanismo não, é que prefiro as sutilezas. Tanto que o meu filme favorito dele era Carne Trêmula. Um filme considerado menor, pouco badalado, mas pungente. O que foi considerado genial - Tudo sobre minha mãe e Má educação - achei só boas idéias. Mas ele converte boas idéias em cinema em Fala com ela, e principalmente neste Volver. Quando ele baixa o tom e fala de pessoas, é inigualável.

Assistir Volver foi emocionante. Há tiradas engraçadíssimas, um roteiro com senso de humor brilhante. Mas há também a vida como ela é, com tragédias (almodóvarianas) cotidianas mas que permitem com que a gente siga em frente. Nada é definitivo e a esperança que tudo dê certo, apesar de, se concretiza. A gente sai feliz do cinema. É filme de atrizes - impossível dizer quem está melhor. Um filme da Espanha, com seus maneirismos, sotaques, cenários e paisagens. Ingresso bem pago. Um desbunde, enfim.

Produção científica e o sexo dos anjos

Notícia do dia: '...produção científica brasileira aumenta 20% entre 2004 e 2005, o maior em termos mundiais, e 830% nos últimos 25 anos.' (Jornal de Londrina)

Tive o privilégio de poder resistir à tentação de fazer um mestrado logo depois de formado. Foi possível me concentrar em me colocar no mercado de trabalho antes de partir para o mestrado. Além disto, não saberia muito bem o que fazer no mestrado - sou pragmático: não queria estudar o sexo dos anjos. Seria uma perda de tempo para mim e, certamente, eu o abandonaria na primeira oportunidade. Agora, sei exatamente o que fazer no mestrado mas, por motivos além do meu alcance, acho que terei de adiar este objetivo temporariamente.

Na graduação lembro do meu bom e velho professor de Mecânica dos Fluidos, o Eng. P., dizia que o Engenheiro Químico deveria começar pela Produção, passar para área de Processos, depois fazer Projetos e, finalmente ir para Pesquisa. Faz todo sentido (eu não sabia na época). É uma forma de ir consolidando o conhecimento e, aliando numa etapa posterior mais complexa o conhecimento adquirido na atividade anterior. Inverti algumas etapas e sofri um pouco pela minha inexperiência, reconheço. Mas passei pelas fases. Chegando à Pesquisa, só hoje em dia me sinto um pouco mais à vontade para fazer um mestrado - consolidar conhecimento e aliar à comédia da vida corporativa. Parabenizo quem cai direto num mestrado, consegue se situar e alia teoria e prática - certamente, este indivíduo tem uma excelente noção do que faz dentro do seu segmento.

Voltando ao aumento da produção científica, me pergunto se esta produção não vem exatamente dos graduados impelidos para fora do mercado de trabalho. Adicionalmente, me pergunto da qualidade da produção e da possibilidade de conversão das pesquisas para algo prático que alavanque o Brasil. Não sejamos tolos generalizando o conceito. Um grande salto à frente requer muitos pequenos saltos isolados, talvez aparentemente desconexos. Há muita gente fazendo pesquisas incríveis. Mas, se a produção estiver essencialmente ao sexo de anjos, a situação necessita ser repensada.

sábado, 11 de novembro de 2006

Tudoaomesmotempoagora

Admiro a capacidade das mulheres de conseguirem fazer tudo ao mesmo tempo e ainda se concentrarem em cada uma das atividades. Tenho agora uma série de atividades críticas para fazer simultaneamente, assuntos a estudar, análises para pensar a respeito, decisões a tomar. Resultado: começo a surtar, sem saber o que fazer primeiro. E sem fazer nada. Fico neste estado catatônico um pouco de tempo. Pouco, ainda bem, porque eu poderia ficar de todo paralisado por tempo indeterminado. Daí começo a fazer qualquer coisa - aleatoriamente escolho uma das pendências e lá vou eu. E adrenalina baixa. E tudo se resolve, como de hábito.

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Pick of the week: Björk, It's oh so quiet!



Shhhh, Shhhh It's, oh, so quiet. It's, oh, so still. You're all alone and so peaceful until... You fall in love Zing boom The sky up above Zing boom is caving in Wow bam You've never been so nuts about a guy. You wanna laugh you wanna cry. You cross your heart and hope to die. 'Til it's over and then. Shhh, Shhh It's nice and quiet Shhh, Shhh but soon again Shhh, Shhh starts another big riot. You blow a fuse, zing boom the devil cuts loose, zing boom So what's the use, wow bam Of falling in love? It's, oh, so quiet. It's, oh, so still. You're all alone and so peaceful until... You ring the bell, bim bam You shout and you yell, hi ho ho You broke the spell Gee, this is swell you almost have a fit. This guy is "gorge" and I got hit. There's no mistake this is it! 'Til it's over and then it's nice and quiet Shhh, Shhh But soon again Shhh, Shhh starts another big riot. You blow a fuse Zing boom The devil cuts loose Zing boom So, what's the use Wow bam Of falling in love? The sky caves in, the devil cuts loose, You blow blow blow blow blow your fuse ahhhhhhh! When you've fallen in love Ssshhhhhh...

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

"I love doing sequels"

Arnold Schwarzenegger vence com 57% dos votos e é reeleito para o governo da Califórnia.

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Sem tempo de gritar

Uma análise preliminar da caixa-preta do Boeing da Gol aponta que a tripulação não teve nem tempo de gritar, informou o Jornal da Band. A tripulação e os passageiros teriam perdido a consciência logo após a colisão.
As frases são cruéis, mas admitamos: não sofreram, nem souberam o que estava acontecendo. Me pergunto o que será que poderia ter passado pela cabeça daquelas pessoas na fração de segundo em que Legacy rasgou a fuselagem do Boeing. Talvez não acreditassem no que estaria acontecendo e pensassem vou cair na ilha do Lost. Como os corpos estavam muito espalhados na floresta, pode ser um sinal que estavam todos despreocupadamente nos seus assentos - possivelmente sem o cinto de segurança - tomando seu refrigerante ou comendo a barra de cereais (budget airline, you know). O avião em parafuso, se partindo, foi lançando as pessoas por todos os lados. Silenciosamente. Para dentro da floresta.

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Não é da minha natureza



Originally uploaded by soh_phee_ah
I hate halloween.
Falta-me senso de humor. Não gosto que façam piada de mim. Gosto que riam para mim, e nunca de mim. Tenho que tolerar quem me mantém na coleira, porque quero ser um vira-lata querido. E, sim, todos me acham querido. Mas na primeira chance, escapo e mordo quem está por perto. Como estão enganados! Todos ficarão com saudades de mim, ficarão olhando para mim nas fotos e dizendo quantas saudades têm, mas nunca mais me encontrarão porque fugirei. Correrei muito, com o rabo entre as pernas. Mas quero voltar triunfante, ameaçar os outros cães ou mesmo os meus antigos companheiros de rua. Eles acham que não vou conseguir, que só vou conseguir quando mudar. Mas mudar, isto não é da minha natureza.

sábado, 4 de novembro de 2006

You're so vain

Trágico o que a vaidade te fez. Criaste na tua mente um mundo infalível que gira de acordo com seu compasso. À sua volta, poucos são aqueles que têm coragem de ajudar a te trazer para próximo da realidade. É bom estar próximo à alegria superficial - por algum tempo a vibração é positiva. Mas cessa. E porque é cruel te dizer que nada é tão admirável quanto tu pensas. E tirar a máscara do que é pensado como potencialmente belo e perfeito não é bom. Evidenciar os sinais de vaidade pode ser confundido com inveja destilada. Daí resta-nos deixar o vaidoso à deriva. À espera de sua ruína. You're so vain. You probably think this post is about you, you're so vain. I bet you think this post is about you, don't you? Don't you?

Pick of the week: Elza Soares, Saltei de Banda



Eu já morei na tal da feira moderna mas saltei de banda e hoje sou meu próprio patrão e ninguém me manda. Eu já cansei de enganar a todo mundo que eu era santo mas não existe ninguém, minha mana, que me acredite tanto. A gente já viu muitos caminhos à nossa frente. Você já esteve doente, você também ficou bom. E hoje a gente está nesse caminho mas bem feito para gente: você descobre e eu também que nem tudo no mundo é sonho e agora eu sei! Eu já morei na tal da feira moderna mas saltei de banda e hoje sou meu próprio patrão e ninguém me manda.

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Doce Companhia Vale do Rio Doce

Antes de me formar estagiei numa empresa controlada pela Companhia Vale do Rio Doce. Sempre pensei que ia enveredar pela área de tecnologia inorgânica, nunca pela petroquímica, orgânica ou muito menos alimentícia - onde estou hoje. A experiência me marcou bastante e a CVRD se tornou uma referência de profissionalismo. Ainda estatal, não conseguia entender muito bem como conseguia ser tal centro de excelência. Deveria haver muitos marajás, paletós pendurados nas cadeiras, gente passeando. Mas nunca vi nada disto e muito pelo contrário. Digo isto a partir de uma perspectiva particular de quem estava lá dentro.

Uma das minhas maiores frustrações profissionais foi ter participado do processo seletivo nacional para ser um dos Juniores da CVRD (o famoso PCJ), ter sido um dos 3 engenheiros químicos classificados e ver as posições abertas para esta carreira terem sido fechadas no meio do processo. Acho que nunca superei de todo isto.

O tempo passa e eis que a CVRD é privatizada. Foi a minha chance de participar um pouco da empresa. Usei parte do meu FGTS para comprar suas ações, e teria até mesmo comprado mais algumas se pudesse. Não no sentido de vingança porque I travel light. Acredito no potencial estupendo da CVRD, do seu estilo gerencial e profissionalismo. O retorno está na valorização absurda das cotas, na CVRD crescendo horrores e tornando-se a 2ª maior mineradora do mundo depois de comprar cash a canadense Inco. Ainda hoje acompanho todos os informes da mineradora e tento descobrir para onde ela vai. Que ela continue assim, rendendo muito.

Sua privatização tornou-se alvo de questionamentos na campanha eleitoral. O fato da empresa que explora os recursos minerais do subsolo pudesse não ser estatal foi colocado em cheque. Definitivamente, a CVRD precisava sim continuar a crescer e isto não seria possível com investimento puramente estatal. Ela só seria alavancada, como foi, sendo independente do estado. Explorar a maior jazida de minério de ferro do mundo é um privilégio.

Brasil é o país do suíngue


Brasileiro usualmente não gosta de olhar no espelho e se ver. Não gosta de ver a miscigenação. Não gosta de ver que não é tão rico, nem tão educado e que, no guichet da imigração, carrega o passaporte verde. Por mais alta a classe do indivíduo, ele nunca perde esta característica: é brasileiro, sul-americano. Por sorte, não vão dizer que vêm de Buenos Aires. Adotei a estratégia inversa, de me reconhecer como brasileiro enquanto pelo mundo. Não tento esconder ou fingir que sou da nacionalidade local - sim, eu respeito seu país mas sou um gaijin. Neste ponto a Regina Casé é um ícone. Brasil, Brasil, Brasil é o país do suíngue. Viajar com o Brasil Legal era reconhecer tudo aquilo que se tentava esconder, que envergonhava Deixa solta essa bundinha. Era a gente morena, suada, de shortinho e camiseta regata Deixa solto esse quadril e grita que vinha para a tela em escala nacional Brasil, Brasil, Brasil é o país do suingue. Agora vem a Central da Periferia para chocar você com a Tathi Quebra Barraco que é feia mas tá na moda. Cada vez que eu assisto a Regina Casé, eu me sinto mais brasileiro ainda e o quanto eu sou um bosta que precisa assumir ainda mais a minha nacionalidade. Brasil, Brasil, Brasil é o país do suingue.

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Montanha-russa

Amanhã, logo que o sol aparecer no horizonte, irei para a varanda. Com um espelho vou lançar o reflexo do sol sobre onde você está. Este será o nosso sinal. Assim você poderá vir me ver. Assim o visto será carimbado no teu passaporte: para cruzar os sinais fechados, para ignorar os pedestres, para passar pela portaria sem responder perguntas e para subir ao meu apartamento. Sua voz ficará assim guardada. Pois, sim, quero ouvir o que você tem a falar em primeira-mão. Pois saiba que te espero antes que seja tarde demais. Pois saiba que logo eu também vou embora. Em contra-partida, se você me lançar o seu sinal de luz, saiba que irei com gigantesca urgência. Porque, de qualquer forma, a vida da gente é só a imagem de uma montanha-russa.

Previsão do tempo

Dia de trabalho:
Feriado:

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Halloween

"And then there was the one who said, in her cellphone’s voicemail message, sounding amused as she said it, that she was afraid she had been murdered, but to leave a message and she would get back to us.

It wasn’t until we read the news, several days later, that we learned that she had indeed been murdered, apparently randomly and quite horribly.

But then she did get back to each of the people who had left her a message. By phone, at first, leaving cellphone messages that sounded like someone whispering in a gale, muffled wet sounds that never quite resolved into words.

Eventually, of course, she will return our calls in person."

Leia aqui o artigo completo Ghosts in The Machine por Neil Gaiman no NYT.

Botha, Mandela e a África do Sul

JOHANESBURGO, 31 out (EFE).- O ex-presidente sul-africano Pieter Willem Botha, uma das figuras-chave do "apartheid", morreu hoje aos 90 anos em sua residência na província de Western Cape, informaram fontes de sua segurança.

JOHANESBURGO, África do Sul (Reuters) - Nelson Mandela, líder da luta contra o apartheid (regime de segregação racial) e ex-presidente da África do Sul, recebeu na quarta-feira o prêmio de "Embaixador da Consciência" de 2006, concedido pelo grupo Anistia Internacional.
O mundo dá muitas voltas. Um dia você está lá em cima. No outro, você está morto.

Faça a coisa certa. Seja honesto, correto, bom. Um dia, o que restará será só a lembrança. Como você quer ser lembrado?

Sinto saudades

Há muitos anos moro há mais de 1000 km de casa. Evidentemente tenho saudades de casa e visito meus pais com certa freqüência. Sinto saudades. Há pouco tempo entendi um pouco melhor o que é isto. Sinto saudades do café da manhã no dia de domingo com tudo mundo à mesa; de assistir televisão à noite antes de dormir e, incentivado pelos meus irmãos, mudar de canal enquanto meu pai cochila na poltrona; de brigar com a minha irmã e levar uns cascudos dela; de passear pelo Rio de Janeiro no dia de domingo; de receber alguém antes do almoço de sábado e servir um cerva gelada para as visitas; do lanche da tarde com rocambole; da minha mãe tentando puxar papo comigo de manhã cedo (sem sucesso); do passarinho cantando quando alguém encostava no portão da frente. Sinto saudades das pessoas e sinto saudades das pessoas daquele tempo. Só que entendi que nada do que eu sinto saudades existe mais e aquelas pessoas não existem mais, muito embora todas estejam vivas, e que eu volto e volto para lá tentando encontrar tudo de novo e, em pouco tempo, vejo que, putz, tudo mudou. Tudo mudou menos meu modelo mental do que é casa.

terça-feira, 31 de outubro de 2006

Spy shot

Uma nova esperança

Mesmo demorando 6 filmes, Darth Vader foi finalmente derrotado.
Esta é a minha esperança na vida.

Quero ser R.R.

Ganhei as eleições. Por uma diferença de 0,2%, míseros 10000 votos, menos do que a população de uma merreca de cidadezinha do interior. Mas ganhei esta porcaria. A imprensa me escurraçou. Meu candidato oponente me ridicularizou, me chamou de, por baixo, mentiroso. Uma cidade no norte do estado - a 2ª maior do estado - me humilhou com acachapantes 72% de votos para o meu adversário. Agora vão todos se ferrar. Como é que eu enfernizar a vida deles? Vou governar só para os grotões, aqueles bolsões de pobreza que me elegeram. Cidades grandes vão se virar por sua conta. Não sai nenhum centavo para nenhum vagabundo que não me elegeu. Se tiver de sair, vou enrolar para liberar até que me coloquem na Justiça. Vou pisar nos estudantes - vou rachar o bico vendo os professores da universidade sem estrutura. Segurança pública? Para quê? Eles vão precisar se proteger é de mim! Vai ter que ser Segurança do Poder Público! E estes jornalistas de bosta que ficaram me pressionando, me chamando de nepotista, vão ter que me agüentar porque toda a minha parentada vai ficar exatamente onde ela está - só para irritar.

(Livremente inspirado em Quero Ser John Malkovich)

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

A lover sings (1984)

You and I are victims of a love that lost a lot in the translation.
When I think of all the time that I spent sitting on the edge of your bed in anticipation of you giving in and us living in sin.
A hot day, the smell of hairspray and the sound of a shower running softly:
it's things like this that remind me of how I felt the first time you came back for coffee - the way you took it amazed me!
Walking in the park, kissing in the dark, and my head against your pillow.
Late at night a lover's sings, "Adam and Eve are finding out all about love".
I say, "Adam and Eve are finding out all about love".
There is no real substitute for a ball struck squarely and firmly.
And you're the kind of girl who wants to open up the bottle of pop too early in the journey: our love went flat just like that.
It doesn't matter the colour of the car but what goes on beneath the bonnet.
Is there a flag that flies above your heart and is my name writ there upon it?
Wedding cake & toothache equals love & pain.
Walking in the park, kissing on the carpet and your tights around your ankles.
Late at night a lover thinks of these things: "Adam and Eve are finding out all about love".
I say "Adam and Eve are finding out all about love".
Teresa and Steve are finding out
all
about
love.

Billy Bragg. A Lover Sings. 1984.
É tão apaixonada e sexualmente inocente e perversa que eu não consigo fazer parar de ouvir. Voz e guitarra, só um cara tocando no seu quarto, sentado na cama. Bom e velho William Bloke. Trilha sonora para a semana. A vizinhança vai começar a reclamar.

domingo, 29 de outubro de 2006

Domingo, 29 de outubro (Vingança #10)


Valeu, Londrina. Enviamos nossa crítica nas urnas via Alckmin e Osmar. Agora, boa sorte para todos nós nos próximos 4 anos com os Srs. Lula e Requião.

sábado, 28 de outubro de 2006

Domingo, 29 de outubro (Vingança #9)


Você pode enganar todos algum tempo ou alguns o tempo todo.

Mas não dá para enganar todos o tempo todo.

Apagando endereços

Às vezes a gente tem que apagar alguém da nossa vida. Traz um pouco de ansiedade antes de fazer, desorientação durante, dor depois. Mas passa. Principalmente porque, exatamente durante o momento crítico, um zilhão de coisas está acontecendo - o mundo não pára. Assim como M. Coller apagava o endereço do seu recém-finado amigo M. Maginot da sua caderneta de endereço e a mosca batia asas, a toalha voava e um espermatozóide fecundava um óvulo.
Le 3 septembre 1973, à 18 heures 21 minutes et 32 secondes une mouche bleue de la famille de califoridae capable de produire 14670 battements d'ailes à la minute se posait rue St. Vincent à Montmartre. A la même seconde, à la terrasse d'un restaurant à deux pas de Moulin de la Galette le vent s'engouffrait comme par magie sous une nappe faisant danser les verres sans que personne ne s'en aperçoive. Au même instant, au cinquième étage de vingt-huit de l'avenue Trudaine dans un neuvième arrondissement, Eugène Coller, de retour d'enterrement de son meilleur ami Émile Maginot en effaçait le nom de son carnet d'adresses. Toujours à la même seconde un spermatozoïde pourvu d'un chromosome X appartenant à M Rafaël Poulain se détachait de peloton pour attendre un ovule appartenant à Mme Poulain, née Amandine Fouet. Neuf mois plus tard naissait Amélie Poulain.
Traduza, se quiser, aqui.
Este post vai para Ms. S., cujo endereço apaguei da minha lista de Dangerous Liaisons (mas ainda está no meu address book), e que, por sua vez, está apagando algum nome da sua própria lista. Também vai para J. e A. que vão se apagando aos poucos da minha memória.

Sábado de sol em Londrina

'If you cannot think of anything appropriate to say, you will please restrict your remarks to the weather.' Sense and Sensibility.

Londrina. 10 da matina. Tempo bom. Temperatura de 27°C, ventos de leste a 11 km/h. Dia absolutamente fabuloso. A vida pulsa lá fora. Consigo ver que a loja de enfeites já se preparou para o Natal. Preciso aguar as plantas na varanda. As pessoas vão apressadamente em direção ao Lago para fazer suas caminhadas matinais caminhar rapidamente nunca foi meu esporte favorito, prefiro curtir a paisagem. Os aviões baixam do céu em direção ao Aeroporto. Os ônibus dizem Bom Dia à cidade ainda vou colocar uma foto para mostrar isto. Outro sábado lindo. Vou para rua agora.

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Domingo, 29 de outubro (Vingança #8)

Apresento neste post o resultado da 'Pesquisa Não Oficial' lançada neste blog. Agradeço aos leitores que gentilmente se dispuseram a responder. Ficamos todos livres para inferências e conclusões.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Domingo, 29 de outubro (Vingança #7)

Tenho feito uma seqüência de posts menos politizados ultimamente. Acho que foi ressaca do 1° de outubro. Entretanto é inevitável pensar que 29 de outubro está logo ali, bem na esquina. Nós Brasileiros temos tido a oportunidade de assistir a uma seqüência de debates dos candidatos à Presidência. Oportunidade única numa democracia imberbe, com a nossa, mas que está amadurecendo e está se tornando mais consciente de suas opções. Dada esta imaturidade atual, temos visto a discussão de poucas coisas construtivas para o nosso futuro - como os programas de governo. Mas estes estão disponíveis na internet para quem estiver interessado - já fiz um post a respeito. Em vez disto, temos conhecido posturas dos candidatos e suas atitudes sob pressão. Ataques, defesas, retóricas, falta de brilhantismo, ironias e discurso de continuidade - muito disto atribuo a um reflexo do que é a nossa sociedade atual. Temos os políticos que merecemos, eles são fruto de nós mesmos eu você seu vizinho seu parente o militar o motorista de ônibus a perua do shopping seu professor e porteiro do prédio. Só a evolução de todo este grupo, e o nosso esforço ativo para evoluir, provocará mudanças. Eu tenho vontade de mudar. E você? Eu tenho vontade discutir, de trazer idéias, compartilhar, educar sem doutrinar. E você? O poder de mudança emana de nós. A palavra do dia? ética. Que a questionemos, então.

ética
do Lat. ethica <>ethiké
s. f., ciência da moral; moral;
Filos., disciplina filosófica que tem por objecto de estudo os julgamentos de valor na medida em que estes se relacionam com a distinção entre o bem e o mal.

ethic
noun [C usually plural]
a system of accepted beliefs which control behaviour, especially such a system based on morals


éthique
subst. fém. et adj.
PHILOS. Science qui traite des principes régulateurs de l'action et de la conduite morale.


domingo, 22 de outubro de 2006

Pick of the week: Morrissey, I have forgiven Jesus

O video original do Morrissey pode ser assistido aqui. A música é tão poderosa que mesmo este trabalho caseiro ficou excelente.



"I was a good kid, I wouldn't do you no harm. I was a nice kid with a nice paper round. Forgive me any pain I may have brung to ya. With God's help I know I'll always be near to ya. But Jesus hurt me when he deserted me, but I have forgiven Jesus for all the desire you placed in me when there's nothing I can do with this desire. I was a good kid. Through hail and snow, I'd go just to moon you. I carried my heart in my hand. Do you understand? Do you understand? But Jesus hurt me when he deserted me, but, I have forgiven Jesus for all of the love you placed in me when there's no one I can turn to with this love. Monday - humiliation, Tuesday - suffocation, Wednesday - condescension, Thursday - is pathetic. By Friday life has killed me. By Friday life has killed me. Oh pretty one, Oh pretty one! Why did you give me so much desire when there is nowhere I can go to offload this desire? And why did you give me so much love in a loveless world? When there's no one I can turn to to unlock all this love? And why did you stick me in self deprecating bones and skin? Jesus, do you hate me? Why did you stick me in self deprecating bones and skin? Do you hate me? Do you hate me? Do you hate me? Do you hate me? Do you hate me?"

Onde está Caco?


1977. Quase 30 anos depois, reencontrei algumas pessoas que estão na foto. Tive que tirar muita poeira de cima das minhas memórias. Lembrei de suas vozes e como riam e olhavam. Lembrei que um dia me engasguei com bala Soft, que o pátio tinha pedrinhas e um pé de tamarindo, que a freira tocava uma sineta no recreio, que eu dançava na festa junina. Acho que também começei a procurar pelo Caco que está lá na foto. Desde a época em que ela foi tirada, foi nascendo camada em cima de camada por sobre aquele moleque. Resolvi então remexer nas camadas, removendo arrancando algumas, deixado intactas outras. Queria chegar no coração naquele moleque. Sei que ele pode me explicar um monte de coisas. Um moleque de 6 anos.

Este post foi livremente inspirado pelo meu primo André que corajosamente sobreviveu ao mico de publicar a sua foto de turma de primário.

sábado, 21 de outubro de 2006

Encontrando velhos amigos

Nada melhor do que encontrar os velhos amigos. Aquela sensação de colocar em dia todos as histórias, a ansiedade de recuperar o tempo perdido enquanto distantes. É tratar o passado recente de forma gostosa e nostálgica. É saber que existe um mundo de histórias no futuro próximo que vamos curtir mais ainda poder compartilhar. É reforçar que um é parte indissociável da vida do outro, mesmo longe. É aproveitar para expressar o carinho e o cuidado para com o outro. É fazer saber que a gente se importa. É dar risada e continuar a conversa de anos atrás como se tivéssemos interrompido ontem. É aprender novas gírias, ouvir um novo sotaque. É saber que muita coisa mudou mas a velha mágica ainda está lá. É ser cúmplice só de olhar. Nada melhor do que encontrar os velhos amigos.

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Equilibrista na corda bamba com olhos vendados

Moldei uma personalidade que impede a observação da flutuação do meu humor. Pequenos incômodos ou pequenas alegrias não são capazes de alterar a máscara que visto. As alterações físicas são mais nítidas nos momentos extremos. A veia jugular que se se revela, o maxilar que se trava, o discurso que se torna monossilábico ou a risada que se instala, a cantoria que incomoda, o olhar que se despreocupa. Minhas palavras são poucas e podem enganar: sempre fui calado o bastante para que ninguém soubesse muito bem o que eu queria. E nesta vida poucos desenvolveram a habilidade de perceber os detalhes. Alguns por medo lamentavelmente, outros por desinteresse graças a Deus. Esta incapacidade de entrar em pânico no cotidiano é conseguida às custas de um equilíbrio forçado constante o equilibrista na corda bamba com os olhos vendados. Às vezes me pergunto se vale a pena colocar a venda nos olhos, se vale a pena pisar na corda bamba, se vale a pena.

terça-feira, 17 de outubro de 2006

Objeto do desejo #2: Citroën C4


Para começar, gosto do nome do fabricante - soa exclusivo quem mais hoje em dia usa tremas em marcas registradas? O desenho do carro é arrojado e a parte central do volante é fixo. Aqui não estou muito interessado em potência do motor ou quantidade de segundos para ir de 0 a 100 km/h. A única coisa é o impacto visual, é a capacidade de fazer os mortais pedestres acompanharem com os olhos cheios de inveja o carro enquanto ele estiver rasgando o asfalto.

Já tive um Peugeot - le Lyon du Désert - o leão do deserto. O maior problema foi a péssima assistência técnica no Brasil. Meu carro produzido ainda pelos hermanos argentinos foi brindado com um problema eletrônico que absolutamente ninguém conseguia resolver: ele tinha vontade própria e, às vezes, simplesmente não dava partida. E ainda por cima, sofria do efeito demonstração: nunca dava problema na concessionária mas me deixou na rua algumas vezes. Isto se resolveu de forma indireta quando eu bati com ele na estrada e tive perda total. Tomara que a Citroën não ofereça um serviço de assistance semelhante (apesar de ser do mesmo grupo da Peugeot) senão o C4 vai ficar só no desejo - não gosto de cometer o mesmo erro duas vezes.

E, para quem ainda não assistiu à propaganda em que ele vira um Transformer dançarino, fica aqui o link para o Youtube.

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Objeto de desejo #1: A380

O Airbus A380 é o maior avião de passageiros do mundo. De acordo com a configuração desejada, poderão subir a bordo 555 passageiros. O esforço de construção é mastodôntico: partes são fabricadas no Reino Unido, Alemanha, Espanha e são montadas com as partes francesas em Toulouse. A engenharia envolvida é incrível - cobre desde o básico do trem de pouso até detalhes aparentemente frívolos como o processo de descarga nos vasos sanitários de toilletes.

Espero a minha vez de voar num destes - espero que seja na Business ou First, porque a Econômica vai ficar como a arquibancada do Maracanã em dia de Fla-Flu.

Só acho que vou ter que esperar um pouco porque o cronograma de entrega da Airbus está atrasado em 2 anos. Grandes projetos. Grandes atrasos. Grandes multas.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Voto eletrônico

Na ressaca pós-debate, discutíamos a velocidade com que a apuração dos votos eletrônicos é feita hoje em dia. É ótimo saber dos resultados da votação em curto tempo: não dá tempo para instabilidade econômica, aquele período de respiração suspensa, em que ninguém sabe o que vai acontecer e começam a especular. O Sr. Y. - cuja nacionalidade não vou revelar - lançou a sombra negra sobre a discussão dizendo que nós, brasileiros, só temos o voto digital porque somos corruptos e poderíamos fraudar as eleições. Chutei a cadeira, o agarrei pelo colarinho e já fui o empurrando para cima da mesa transformando os copos em cacos e berrei 'temos voto eletrônico porque somos mais avançados nisto do que no seu país de m*, seu f*d*p*'. Respirei antes de começar a fazer isto. Daí encolhi os ombros e me calei.

domingo, 8 de outubro de 2006

Pesquisas nas eleições 2006

Segundo as Pesquisas: Lula seria re-eleito no primeiro turno. Yeda Crusius estaria em terceiro lugar nos Pampas Gaúchos - praticamente esquecida. Álvaro Dias venceria de lavada para o Senado pelo Paraná.

O que aconteceu: Teremos segundo turno nas eleições presidenciais. Germano Rigotto ficou fora do segundo turno no RS: Yeda ficou em primeiro com Olívio Dutra no seu encalço. Álvaro Dias deve ter contado voto a voto que a adevogada (sic) Gleisi foi roubando dele na trilha para o Senado Federal.

Há um acordo tácito: ninguém tem questionado as Pesquisas eleitorais - nem candidatos, nem a mídia, nem bloggers. O que aconteceu? Pois eu não vou falar, ...

Vou falar: erro na amostragem. Não na quantidade de pesquisados - este seria um erro muito simples - mas no caráter aleatório e distribuição da localização dos pesquisados. O Paraná vai a segundo turno devido ao votos do interior do estado - Londrina, Maringá - reação do agribusiness e da falta de segurança ao descaso do atual governo. Me pergunto se os pesquisados desta região foram em número insuficiente e provocaram um desvio nos resultados da pesquisa. Por abrangência, talvez isto possa ter acontecido também nas outras regiões.

Impensável antes, realidade hoje

Lembro-me de estar na faculdade na eleição presidencial que elegeu o Collor. A rejeição a ele era enorme e a simpatia ao PT de Lula, extrema. Não me lembro muito bem, mas acho que votei no Covas ou no Roberto Freire. Anos se passaram e hoje rejeito enormemente o PT e o Lula. Covas está morto mas Roberto Freire ainda tem comportamento exemplar. Tenho um adesivo no carro apoiando Alckmin numa coligação PSDB PFL. O que era impensável há uns 15 anos atrás, torna-se realidade hoje.

Hoje tem debate dos presidenciáveis na Bandeirantes, 20 horas. Imperdível.

sábado, 7 de outubro de 2006

Pick of the week: Lily Allen, Smile



When you first left me I was wanting more, but you were fucking that girl next door, what did you do that for? When you first left me I didn't know what to say. I've never been on my own that way, just sat by myself all day. I was so lost back then but with a little help from my friends I found a light in the tunnel at the end. Now you're calling me up on the phone so you can have a little whine and a moan and it's only because you're feeling alone. At first when I see you cry, yeah it makes me smile, yeah it makes me smile. At worst I feel bad for a while, but then I just smile, I go ahead and smile. Whenever you see me you say that you want me back and I tell you it don't mean jack, no it don't mean jack. I couldn't stop laughing, no I just could help myself. See you messed up my mental health I was quite unwell.

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

Vou a qualquer lugar!

"Desse mundo louco, de tudo um pouco, eu vou levar pra 2001. Avançar no tempo e nas estrela fazer meu Ziriguidum. Nos meus devaneios quero viajar. Sou a Mocidade, sou Independente, vou a qualquer lugar! Vou à Lua, vou ao Sol, vai a nave ao som do samba caminhando pelo tempo em busca de outros bambas. Quero ver no céu minha estrela brilhar, escrever meus versos à luz do luar, vou fazer todo o universo sambar! Até os astros irradiam mais fulgor, a própria vida de alegria se enfeitou. Está em festa o espaço sideral, vibra o universo: hoje é Carnaval! Quero ser a pioneira a erguer minha bandeira e plantar minha raiz."
Ziriguidum 2001: Carnaval nas Estrelas. Mocidade Independente de Padre Miguel (1985) Veja aqui via YouTube.
Em pensar que falava em 1985 de um distante 2001 e já estamos em 2006. Este samba é muito para-cima, tipo sexta-feira, carnaval-fora-de-hora, feriadão. Fiquei cantarolando durante a semana sendo que as pessoas à minha volta se espantavam com o meu lado malandro-carioca que achavam estar esquecido sobre a terra vermelha do norte do Paraná.

Já confessei: sou carioca e não sei sambar. Adicione-se a isto: sou Mocidade, sou Independente, vou a qualquer lugar!

Múltiplas capacidades

"Em nota oficial divulgada nesta tarde, a executiva do PT anunciou a expulsão política de Oswaldo Bargas, Jorge Lorenzetti, Expedito Velloso e Hamilton Lacerda, envolvidos na tentativa de compra do dossiê que ligaria políticos tucanos à máfia das ambulâncias. A nota foi lida depois de o presidente do partido, Ricardo Berzoini, anunciar seu licenciamento do cargo por tempo indeterminado, enquanto durarem as investigações sobre o caso."
Clique aqui para ir até a fonte.
Incrível. Têm capacidade de serem corruptos e trapalhões. Ao mesmo tempo. Sem contar que são também capazes de respirar.

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

Yes, but

Eternal L. foi para o divã de sua analista e levou os seus amigos bloggers junto com ela. Ainda bem, porque estou há semanas com a indicação para a primeira sessão mas tenho adiado descaradamente. Meu último estratagema foi perder o endereço - quão inócuo.

Gosto da teoria da sincronicidade de Jung, e fiquei interessado pelos perfis comportamentais desenhados por William Marston (Emoções de Pessoas Normais). Segundo o último, meu perfil é o D (dominance) - que reporta a poder, controle e assertividade. Sempre simplifico interessado no 'o que...?' Tenho também S (steadiness - reação à mudança) e quase nada de I (influence - interação com pessoas). Tudo isto conspira para que eu passe por sobre as coisas e as pessoas como um rolo compressor para atingir objetivos. Disse para Miss S. que o dela era C. C de compliance, conscientiousness ou caution - a resposta que dá às regras, regulamentos e autoridades, a pessoa 'yes, but...', a pessoa que sempre pergunta 'por que...?'.

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Sir Ernest Shackleton

Sir Ernest Shackleton foi um marinheiro britânico obsessivo por chegar ao Pólo Sul antes de todo mundo no início do século XX. Tentou algumas vezes e foi mal sucedido em todas. Numa de suas tentativas, seu navio, o Endurance, ficou preso num banco de gelo à deriva até que foi completamente esmagado pela pressão do gelo. A tripulação navegou em barcos salva-vidas pelo mar gelado até a inóspita ilha Elephant - no meio do nada. Comida? Focas, pingüins. Finalmente, Shackleton e mais 2 membros da sua tripulação se aventuraram para buscar ajuda até a ilha Geórgia do Sul - no meio do lugar nenhum. Chegaram pelo pior lado da ilha e atravessaram picos gelados até chegar na área habitada. Sem GPS, sem internet, sem roupas com tecidos inteligentes, sem barra de cereais. Conseguiram encontrar ajuda e voltaram para resgatar os demais. Todos. Vivos. Isto aconteceu entre 1914 e 1916.

A primeira vez que ouvi falar do Shackleton foi numa revista de consultório médico. Aproveitei a espera quase infindável para devorar a reportagem. Depois tropecei no livro dele numa livraria. Não conseguia tirar os olhos das fotografias de Frank Hurley, que estava na expedição e fez um trabalho absurdamente memorável.

Um fracassado? Definitivamente não. Ele conseguiu liderar todo o grupo durante toda a adversidade e trazer todos de volta da enrascada, nem tão sãos mas salvos.

Você responderia a este anúncio e navegaria junto com Sir S.?
"Men wanted for hazardous journey. Low wages, bitter cold, long hours of complete darkness. Safe return doubtful. Honour and recognition in event of sucess."
Uma das coisas mais incríveis que ouvi sobre ele era que ele não procurava os mais brilhantes cientistas ou os marinheiros mais técnicos do mundo para sua expedição. Claro que era necessário uma devida habilidade para desempenhar as atividades, mas o mais importante era que os escolhidos fossem otimistas, bem humorados, pessoas com as quais tivessem prazer em estar. Isto faz sentido: seria mortal ter alguém pessimista ou reclamando (do frio, por exemplo?) o tempo todo em plena Antártica ou arranjando encrenca dentro do grupo. Posso dizer que aprendi isto com Sir S. e é o que sempre procuro na vida. I travel light.

domingo, 1 de outubro de 2006

Domingo, 1° de outubro (Vingança #6)

A série Vingança, livremente inspirada em V de Vingança, foi uma experiência interessante. Recuperei imagens e frases memoráveis do filme que me inspiravam para o momento político. O filme em si não retrata o momento atual brasileiro mas pode indicar como um povo pode se comportar perante seu governo. Acredito que a tônica desta eleição seja a discussão sobre ética, sobre o voto consciente. Espero ter contribuído um pouco para isto e estou muito otimista com os resultados. Talvez os meus candidatos não sejam eleitos, talvez os melhores candidatos não sejam eleitos. Talvez um pouco da escória ainda fique por aí. Mas acredito fortemente que algo vai mudar a partir deste 1° de outubro.

Para começar, muitos pesquisaram antes de votar. Afirmo isto porque o FdG teve o número de acessos praticamente duplicado em Setembro. Momento Ponto de Interrogação. Adoraria que estivessem procurando este blog, mas fiquei mais feliz pelo fato de que as pessoas chegavam aqui após usar uma ferramenta de busca qualquer procurando pelo site Perfil Transparência onde encontram-se históricos de candidatos à reeleição à Câmara dos Deputados. Bom sinal, não?

sábado, 30 de setembro de 2006

Domingo, 1° de outubro (Vingança #5)

"As pessoas não deveriam ter medo do seu governo.
Os governos deveriam ter medo das pessoas."


sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Domingo, 1° de outubro (Vingança #4)


VfVStFshadowgallery
Originally uploaded by crowjane29.
Evey Hammond: Does it have a happy ending?
V: As only celluloid can deliver.
Nosso final feliz, tão parecido quanto aquele esperado em celulóide, depende do voto consciente. Vingativo, mas consciente.